Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 26/09/2021
Em países subdesenvolvidos como Chile e Argentina, o processo de adoção é eficiente e acelerado. No Brasil, entretanto, segundo o jornal CNN, o sistema adotivo é demorado e desajustado à demanda de crianças sem lar no país. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à falta de sensatez do corpo civil, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.
Nesse sentido, é válido destacar a ausência de bom senso de grande parte da fração social que deseja adotar. Nessa lógica, consoante o jornal Folha de São Paulo, em 2018, a maioria dos brasileiros dispostos ao processo adotivo tem preferência não só sobre a tonalidade branca da pele, como também em relação à idade. Por esse ângulo, nota-se a inexistência de consciência a respeito de que a adoção é uma forma humanitária de acolher um ser que precisa de um lar e de uma família para se desenvolver de forma saudável. No entanto, frequentemente, os pretendentes à adoção agem como se estivessem escolhendo uma mercadoria em uma vitrine de supermercado, o que leva a observar, infelizmente, a falta de criticidade acerca do significado e da importância da miscigenação na identidade do país. Dessa forma, percebe-se que o preconceito a aspectos irrelevantes, como a cor da pele, é um dos impasses relevantes à adoção.
Além disso, é imprescindível salientar a incapacidade política para agir de forma diligente na resolução de mazelas sociais. Nessa perspectiva, de acordo com o teólogo Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade de uma sociedade é o que ela faz com suas crianças. À vista disso, o excesso de burocracia no processo adotivo brasileiro põe o desenvolvimento social de crianças e adolescentes em segundo plano, haja vista que não há a aplicação de um sistema de adoção mais eficaz como o de países vizinhos Sul-americanos. Dessa forma, pode-se considerar que a nação brasileira age de maneira pouco moral em relação aos indefesos desamparados, de acordo com Bonhoeffer. E, por consequência, há um aumento do tempo de espera por um lar por crianças e adolescentes em todo o país.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio campanhas publicitárias em TV aberta, fomentar a criticidade sobre a riqueza da miscigenação do país e conscientizar a população sobre o real sentido do processo adotivo, com o objetivo de reduzir os impasses na adoção e formar famílias acolhedoras independente de cor ou de idade. Paralelamente, ele deve investir, por intermédio de verbas, em um sistema de adoção novo, seguro e mais eficiente, a fim de reduzir o tempo de espera por uma família. Assim, será possível a formação de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.