Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Em maio de 2016, Giovanna Ewbank se tornou matéria após a anunciação de sua primeira filha. Ela e seu marido, Bruno Gagliasso, ambos brancos de olhos claros, sofreram diversas críticas por terem adotado uma menina negra. Tendo em vista a situação que o casal se encontrava na época, pode-se afirmar que, assim como Titi, muitas crianças e adolescentes sofrem com a dificuldade e com a exclusão racial quando se trata de adoção.

Em uma primeira análise, é certo afirmar que nem todas as crianças tem ou tiveram a mesma oportunidade e sorte que a primogênita dos atores. Infelizmente, a maioria dos pretendentes, desejam recém-nascidos de pele clara, o que dificulta o processo já que apenas 6% das crianças aptas a serem adotadas possuem menos de um ano de idade, enquanto 87% têm mais de cinco anos, faixa etária aceita por apenas 11% dos mesmos.

Além disso, ainda convém lembrar que 66% dos brasileiros dispostos a adotar, preferem um único filho, enquanto 65% dos menores cadastrados possuem irmãos. De acordo com o Ministério Público, as crianças e adolescentes que vivem em abrigos por abandono biológico, apresentam maior dificuldade em encontrar um novo lar, já que ainda podem ter contato com a família, e para a Justiça brasileira, é preferível que elas retornem aos seus lugares de origem.

Fica claro, portanto, que atenuar esse problema não se apresenta como tarefa fácil, porém torna-se possível por meio de ações enérgicas em caráter de urgência. Logo, cabe ao Ministério Público instaurar medidas que deem prioridade na fila para os interessados em adotar grupos de irmãos e sem preferência por recém-nascidos ou menores de 5 anos, portadores de deficiências ou não. Para tanto, é necessário o aumento do número de candidatos dispostos a entrar nessa fila, cujos efeitos serão não apenas a maior quantidade de jovens compondo uma nova família, mas também a diminuição dos mesmos em abrigos ou nas ruas.