Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 13/10/2021

O seriado “Anne With an E” retrata a história de uma jovem órfã que após, uma infância de abusos em orfanatos, é acolhida por uma família de idosos e consegue superar seu passado conturbado. Entretanto, fora da ficção esse final feliz não condiz com a realidade brasileira, pois o cenário de adoção do público infanto-juvenil mostra-se comprometido devido às exigências dos adotantes e a burocracia que envolve o processo.

Em primeira análise, vê-se que a idealização de crianças e adolescentes promove um descompasso entre o perfil desejado e a realidade dos abrigos. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 4,52% dos interessados aceitam adotar crianças maiores de 8 anos. Desse modo, a adoção torna-se ilusória, pois os adotantes desejam crianças com perfis diferentes das que necessitam de um lar. Sendo assim, a inserção de um novo membro na família não deveria ser um método de suprir o interesse pessoal, mas sim, uma ação altruísta.

Além disso, as várias etapas do processo são necessárias para segurança do adotado, porém no Brasil, elas podem ocorrer de forma lenta. Nesse sentido, conforme o Cadastro Nacional de Adoção, a criança passa a constar na lista de adoção apenas após tentativas de reinserção na família de origem falharem. Esse ato de destituição da família biológica acaba dificultando o andamento da adoção e, consequentemente, privando muitas crianças e adolescentes de vivenciarem um ambiente familiar, pois os abrigos acolhem até os 18 anos incompletos. Logo, os “filhos do abrigo” como são chamadas as crianças que cresceram nesses lares tornam-se adultos solitários, sem apoio de familiares para construção do futuro.

Depreende-se, portanto, medidas que venham ampliar a adoção de crianças e adolescentes. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos juntamente com a mídia criar campanhas nos grandes meios de comunicação para conscientizar a procura dos futuros pais. Isso será feito por meio de depoimentos de figuras públicas contando sobre a adoção fora do perfil mais procurado, a fim de promover um lar para o maior número de crianças e adolescentes necessitados. Ademais, Juizado da Infância e Juventude necessita reformular as etapas dos seus processos para agilizar as adoções. Somente, assim, o público infantojuvenil terá a chance de uma vivência feliz igual a protagonista Anne do seriado.