Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 14/10/2021

Na série Friends, os personagens Mônica e Chandler enfrentam alguns desafios no processo para adotar uma criança. Logo, a série não erra ao evidenciar o tempo de espera, a burocracia na formalização dos documentos e as frustrações vividas pelo casal como mazelas da perfilhação de filhos. Nesse sentido, ressalta-se a incompatibilidade de perfis e as questões de ordem burocrática como principais causas dessa discussão. Assim, se quase 34 mil crianças e adolescentes aguardam serem adotados, como citam dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), discutem-se, portanto, os impasses no processo de adoção no Brasil.

Nesse contexto, é mister salientar a incompatibilidade de perfis como um dos impasses. Esse fato se comprova quando são analisados dados do Cadastro Nacional de Adoção, em que 80% dos pais que desejam adotar optam por meninos e meninas menores de 3 anos, o que corresponde somente a 7% do quadro de crianças disponíveis.  Trata-se, portanto, de um panorama social degradante, visto que várias crianças e adolescentes são deixados de lado, ficando em abrigos por muito tempo. Ademais, é imprescindível ressaltar que os órgãos públicos e a mídia poderiam ter um importante papel nesse cenário: o de incentivar responsáveis a perfilharem filhos de diferentes perfis e diferentes idades, atenuando essa mazela.

Outrossim, o processo é longo e burocrático. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o prazo máximo para conclusão da adoção é 120 dias, entretanto, o CNJ afirma que pode se extender até 240 dias. Em suma, a lentidão e a burocracia, infelizmente, desmotivam muitos pais que querem adotar, como ocorreu com Chandler e Mônica na série, sendo necessário disponibilizar maior acesso à informações e aos dados do andamento do processo para que os responsáveis não desistam.

Ficam evidentes, portanto, os impasses no processo de adoção no Brasil. Então, a mídia, como difusora do conhecimento e da informação, deve promover, não só campanhas de esclarecimento sobre a adoção e divulgar dados, mas também incentivar famílias a adotarem diferentes perfis e diferentes idades, por meio de filmes, novelas e anúncios que explanem a realidade de muitas crianças que ficam por muito tempo nos abrigos, na finalidade de atenuar essa diferença e aumentar os índices de acolhiemento no país.