Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 01/06/2022
A novela “Chiquititas” retrata o difícil processo de adoção de crianças e adolescentes, sobretudo, as mais velhas. Nessa perspectiva, os impasses da adoção, no Brasil, ainda são recorrentes, o que retarda o Direito Constitucional de 1988, que garente o acesso à família para todos os jovens. Esses graves episódios, são resultados da demora nos processos que viabilizam a adoção e ao perfil idealizado dos adotantes. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e de desleixo que apadrinha o país.
Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa área. Na ótica de Platão: “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quando sabemos”. Nesse viés, quando imagens do aumento do número de jovens sem família, o recrudescimento da adoção e, por tabela, a ausência de uma maior visibilidade das crianças e adolescentes com os pretendentes pais se tornam comuns. É susbatncial exigir um olhar mais atento das autoridades, uma vez que a “parte ignorada” colhe todo o azedume dessa mazela. A esse respeito, destaca-se o cenário de lentidão e uma enorme burocracia como as principais agruras enfrentadas nessa esfera. Logo, mostra-se um governo ineficiente em garantir a essa parcela o Direito Constitucional conquistado.
Por sua vez, outro vetor é o papel apático do olhar coletivo nessa temática. Na dialética de Lya Luft, em seu texto “Alegres e Ignorantes”, a autora postulou: “Mas, se somos desinformados, somos vulneráveis”. Nessa lógica, quando a sociedade não enxerga a importância da adoção com prioridade, gesta-se uma geração de embrutecidos relegados ao limbo da desinformação, e não menos perigoso, a vulnerabilidade social, como o crescimento de inúmeros jovens sem a convivência familiar e comunitária com dignidade. Desse modo, é fulcral que a coletividade abdique de sua atuação de inércia, com o fito de haver melhorias.
Infere-se, portanto, que, nessa problemática, o Estado deve intensificar os investimentos nessa área, por meio de verbas destinadas a essa esfera, ampliando o contato dos pais com as crianças e adolescentes no processo de adoção e promovendo uma maior agilidade nessa mazela, a fim de barrar o percurso de todo o caos. Assim, para que “Chiquititas” deixe de ser uma realidade brasileira.