Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 06/03/2023

Na série “O gambito da rainha”, uma criança branca é abrigada em um orfanato, até ser adotada por um casal de classe média. Além disso, após um dado episódio, nota-se, naturalmente,que todos os jovens negros que conviveram com a protagonista na época não encontraram um lar a longo prazo. Sendo assim, fora da ficção, é fato que a obra cinematográfica foi baseada nos desafios para a promoção da cultura de adoção,mais especificamente no Brasil, uma vez que problematiza a escolha seletiva das famílias nesse processo.Logo, é necessária a mudança de posicionamento e conscientização acerca dessa questão.

Primeiramente, ressalta-se que o racismo é um dos principais fatores do atraso em acomodar órfaos em uma unidade estável.Assim, isso se deve ao estereótipo fomentado pela sociedade ao longo dos anos que associa conceitos negativos à pele escura.Visto isso, percebe-se que o preconceito étnico ainda está presente, segundo a obra “As almas da gente negra”, de W.E.B Du Bois, em que é explanada a hierarquia racial, com o homem branco no topo; e ele é causador de impasses no momento de acolher um ser indefeso.Por isso, é imprescindível a educação coletiva sobre o assunto da igualdade das estirpes.

Em segunda análise, emenda-se que o demorado processo de seleção de um filho adotivo também está firmado no medo de possíveis problemas de natureza hereditária.Sob esse prisma, o rigoroso exame do histórico familiar, a fim de evitar conflitos futuros ao lidar com doenças genéticas ou passados turbulentos, extingue a oportunidade de muitos casos serem resolvidos. Ademais, como exemplo, sabe-se que apenas 35% dos pais adotivos aceitam filhos com patologias em geral, de acordo com o “site” Mundo Educação.Dessa maneira, são necessárias medidas para aumentar a empatia e a disposição para lidar com os antecedentes da criança.

Enfim,para que o precário sistema de adoção no Brasil seja minimamente melhorado, é indispensável que o Estado, em especial o Ministério da Educação, promova, por meio da internet e do envio de palestrantes a instituições de ensino públicas, projetos socioeducativos voltados para o desmascaramento do racismo, bem como para a importância da afeição do adulto para com o adotado, de modo a possibilitar a aceitação dos problemas (físicos e mentais) do último.