Impasses no processo de adoção no Brasil

Enviada em 20/10/2023

Na obra “Utopia”, do filósofo Thomas Hobbes, é retratada uma sociedade caracterizada pela ausência de problemas e conflitos, na qual todos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que existem estigmas no processo de adoção. Sob esse viés, o perfil exigido pelos adotantes e o preconceito da adoção tardia, contribuem para o problema.

Diante do contexto apresentado, o maior empecilho à efetivação da adoção no Brasil, é o perfil exigido pelos interessados em adotar, que fazem exigências e demonstram preferências, não compatíveis nas instituições de acolhimento. De acordo com o Conselho de Justiça, 65% dos jovens a espera de um lar são negros ou pardos, e 2 a cada 7 possuem irmão.Sob essa premissa, 90% dos candidatos preferem crianças brancas de até 5 anos, por outro lado, mais de 60% não aceitam adotar irmãos. Nota-se, que substancial parcela das famílias disposta a acolher tem critérios de escolhas muito limitadas a certas características eurocêntricas, fruto de uma herança preconceituosa.

Ademais, é necessário acabar com o preconceito da adoção tardia no país. Conforme dados revelados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), crianças acima de oito anos são consideradas dentro do espectro tardio. “ Existe uma crença de que crianças mais novas vêm como uma ‘folha em branco’, que poderão ser moldadas desde o início pelos pais”, aponta Jussara Marra, presidente da Angaad (Associação Brasileira de Grupos à Adoção).Isso reflete um cenário composto por um grande preconceito sobre o que a criança ou o adolescente viveu antes de ser encaminhado para a adoção, seja em sua família de origem, como se ela fosse se tornar um desafio, um problema para os responsáveis.

Portanto, afim de superar os problemas supracitados, urge a necessidade do Ministério da Família -órgão responsável em promover o bem-estar dos habitantes, promover campanhas e palestras midiáticas que incentivem o apadrinhamento independente do perfil dos jovens disponíveis, afim de conscientizar os adotantes sobre a dificuldade de atender as exigências do perfil muito limitado.