Impunidade no Brasil (Tema adaptado: UNIFENAS - 2012)
Enviada em 05/07/2020
Em 2020, o Brasil ocupou a preocupante 108ª posição dentre os 180 países menos corruptos do mundo. No entanto, segundo o filósofo Leandro Karnal “não existe país com governo corrupto e população honesta” evidenciando que a honestidade em altos cargos públicos é apenas um reflexo da sociedade. Em ambos os casos, a sensação de impunidade e a grande tolerância da população são os principais fatores para esse caos social. Em vista desse quadro, é imprescindível uma reestruturação sobre fiscalização das leis e uma reforma na mentalidade popular para que haja um vigor da integridade.
Em primeiro lugar, vale destacar a importância das penalidades em casos de corrupção e desonestidade. No livro II de “A República”, o filósofo Platão descreve o mito do Anel de Giges, onde um anel mágico concede a invisibilidade para seu portador, porém também cria o dilema: usá-lo para o bem ou para o mal? O fenômeno da imperceptibilidade é visto novamente nos dias atuais com a impunidade estimulando a delinquência em todas as camadas sociais. Deste modo, é perceptível a urgência de uma reestruturação das autoridades de segurança para que diminua a cultura da falta de condenação aliado ao sentimento de liberdade.
Além disso, outro notório motivo para a impunidade é a falta de responsabilidade do brasileiro para com atos de terceiros. No país há uma deficiência no senso de coletivo, assim, quando há atos de corrupção contra o patrimônio público em qualquer nível, não há grande reação ou denúncia popular por falta de identificação como “seu”, gerando liberdade para novos atos desonestos. Sendo necessário então, uma educação pautada em princípios éticos para que essa mentalidade seja alterada.
Portanto, percebe-se que para uma população mais homogênea e honesta entre si são necessários investimentos não apenas econômicos, mas também de mentalidade. Para isso o Governo - representado pelos Ministérios da Educação e da Justiça - foque no combate a injustiça levando palestras, principalmente em escolas, que estimulem a honestidade em todos os seus âmbitos além de reestruturar o Poder Executivo de forma que a lei sobreponha-se ao sentimento de impunidade. Feito isso, poderá ser desenraizada uma cultura de impunidade e a sociedade poderá refletir a honestidade em seus mais altos cargos.