Impunidade no Brasil (Tema adaptado: UNIFENAS - 2012)

Enviada em 02/03/2022

A obra “Uma janela em Copacaban”, do autor Luiz Alfredo Garcia-Roza, retrata o caso de Celeste, criminosa que, após assassinar vários policiais, sai ilesa do crime com o dinheiro advindo da corrupção. Fora da ficção, a situação da criminosa é extremamente semelhante às enfrentadas por parcela da população brasileira, visto que a impunidade - por ser intrínseca à certeza - estimula a criminalidade. Nesse sentido, a falha estatal em promover a punição necessária somada à morosidade da Justiça ameaçam a prática democrática da nação.

Crimes, quando não acompanhados de impunidade, corroboram para que mais atos criminosos continuem a acontecer. Nesse viés, uma cena do filme “Tropa de elite” demonstra tal situação, em que o coronel do quartel - ligado aos jogos do bicho - tenta cometer um homicídio contra o soldado que ameaçou entregá-lo aos orgãos competetentes, fato que afirma o vínculo entre impunidade e criminalidade contínua. Dessa forma, o indivíduo, ao pré estabelecer que não sofrerá danos permanentes no quesito da justiça, não hesita antes de cometer tais infrações.

A falha estatal também está ligada, de modo intrínseco, à morosidade da Justiça. Diante disso, percebe-se que, no Brasil, a burocracia exagerada dos meios legais atrasa a punição necessária aos crimes cometidos. Nesse contexto, o documentário “O lado sombrio da polícia jurídica” exibe a quantidade de crimes que ficam à mercê dos funcionários públicos, visto que a burocracia excessiva permeia as investigações e, consequentemente, 95% dos casos ficam impunes - como é o que acontece com o estado de São Paulo, mostrado no documentário. A partir disso, o atraso - literal - da justiça, faz com que, no imaginário social, crie-se a ideia de que atos criminosos não são efetivamente puníveis, contribuindo para que mais crimes aconteçam, tal o ocorrido com Celeste.

Depreende-se, portanto, que a certeza da impunidade impulsina atos criminosos. Em síntese, o Estado, ao ser exposto a uma falha no processo jurídico contra militares e civis, dificulta os meios democráticos de justiça, corroborando para que crimes aconteçam premeditados pela mínima margem de - talvez - punição.