Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 15/04/2020

Compreendida como uma modificação técnico-científica-informacional, a Terceira Revolução Industrial, iniciada no século XX, teve papel fundamental na consolidação da globalização, e, logo, na transformação das relações sociais. Estas interações passaram a ocorrer de modo mais intenso devido à modernização das comunicações em virtude da ampliação do acesso à internet, importante ferramenta de inclusão digital, que se fortificou com a modificação tecnológica novecentista. Contudo, muitas sociedades do globo, bem como a brasileira, enfrentam dificuldades para promover a inserção total dos seus integrantes no meio virtual. Assim, pelo fato de, no Brasil, o direito à informação ser prejudicado, o governo deve ter como propósito atual a inserção digital completa dos seus cidadãos.

Nesse contexto, destaca-se como obstáculo a inclusão cibernética no Brasil a desigualdade social da nação, já que a maioria dos brasileiros de baixa renda não possuem recursos financeiros suficientes para, concomitantemente, sustentarem-se e adquirirem ferramentas de acesso às redes, como computadores, celulares e a própria internet. Esse fato é comprovado pela pesquisa divulgada pelo portal de notícias UOL, no ano de 2016, a qual informava que dos 32,8 milhões de domicílios sem internet no Brasil, 30 milhões eram de pessoas enquadradas nas classes C, D, E. Ademais, a falta de capacitação de alguns usuários dos meios digitais é outro fator que dificulta a inserção virtual, já que esses indivíduos, sobretudo os idosos, não compreendem a dinâmica do uso dos equipamentos cibernéticos, por estes apresentarem uma estrutura complexa para vasculhar. Dessa forma, sem acesso à internet, os brasileiros têm a sua participação social  desvalorizada.

Em consequência disso, nota-se uma exclusão social e cultural dos indivíduos da nação que não são inclusos digitalmente. Segundo o filósofo francês Pierry Lévy, a internet é um meio de expansão de conhecimento e é um modo de interconexão entre indivíduos. Diante dessas premissas percebe-se que, por intermédio do acesso a essa rede, os serem obtêm informações que engradecem as suas culturas individuais e mantém-se conectados integralmente, facilitando, assim, o processo sociológico de socialização. Desta maneira, cidadãos que não são inseridos no ambiente digital, além de possuírem seu direito à informação limitado, enfrentam obstáculos para estabelecerem novas relações sociais.

Portanto, objetivando a inclusão digital completa dos brasileiros, compete ao Ministério da Ciência e Tecnologia fornecer, gratuitamente, aos indivíduos de baixa renda, o acesso à internet e à equipamentos de admissão à rede. Isso seria feito, por meio de parceria com empresas de internet e de aparelhos eletrônicos, garantindo o acesso menos desigual à rede. Além disso, a provisão de cursos, pelo Ministério, que capacitem os cidadãos  quanto ao uso da tecnologia, faz-se uma ação necessária.