Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 30/08/2019
A Organização das Nações Unidas declarou, no ano de 2014, que o acesso à internet é um direito humano no século XXI. Nesse sentindo, configura-se, portanto, como o exercício da cidadania a inclusão do indivíduo ao mundo interconectado atual por meio das tecnologias de informação e comunicação. Todavia, a inclusão digital ainda é um desafio para a sociedade brasileira, na medida em que sua modernização pressupõe um aprendizado contínuo que não ocorre de maneira homogênea, em vista das inúmeras formas de exclusão digital que se materializam na própria exclusão social.
Em primeira análise, convém destacar que a Revolução Digital, ocorrida no final do século XX, acompanhou inúmeras mudanças no modo de vida da sociedade, sobretudo com a chegada dos computadores e “smartphones” para o uso civil. Nesse cenário, a era da informação reestruturou a maneira como as relações sociais ocorriam anteriormente. Com efeito, de acordo com o filósofo Byung-Chul Han, a sociedade do desempenho requer indivíduos cada vez mais produtivos, que, nesse contexto, devem acompanhar as mudanças velozes que surgem no mundo digital. De fato, novos aparelhos, plataformas e programas são criados a todo instante, fazendo do aprendizado tecnológico algo contínuo na vida daqueles que desejam acompanhar as transformações digitais.
Outrossim, a exclusão digital toma forma na exclusão social conforme o acesso às tecnologias ainda são limitados à uma parcela da sociedade. Nessa perspectiva, segundo o estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, as cidades brasileiras com os maiores índices de inclusão digital, dentre elas Florianópolis e Santos, também se destacam pela sua renda per capita e Índice de Desenvolvimento Humano, o que significa que os impactos da informática alcançam, majoritariamente, as cidades mais desenvolvidas. Por outro lado, sob a ótica do teórico da comunicação Pierre Levy, na sociedade hiperconectada as informações mais importantes encontraram-se disponíveis online, dessa forma, o acesso restrito a elas configura-se no cerceamento da cidadania.
Fica claro, portanto, que ainda há um longo caminho a trilhar para que a inclusão digital alcance todos os níveis sociais. Logo, é dever do Estado, por meio do Ministério da Educação e as secretarias municipais, inserir nas escolas da rede pública e privada a inclusão da disciplina de informática, desde a educação básica ao ensino superior, a fim de educar e tornar o aprendizado tecnológico algo constante na vida de jovens. Além disso, o Ministério da Tecnologia e da Inovação deve, mediante subsídios financeiros para empresas da informática, ampliar as redes de acesso à internet com o intuito de levar a sua conexão para todas as áreas do páis. Espera-se, com isso, que tal caminho leve a sociedade enfim à linha de chegada.