Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 26/09/2019

Segundo o historiador Eric Hobsbawm o mundo contemporâneo vive a era dos extremos,isto é, ao mesmo tempo em que há tantos avanços econômicos, tecnológicos e humanitários, há também um aumento das crises, conflitos, pobreza e exclusão. No que tange à inclusão digital no Brasil, é perceptível um controle e uma diretriz mercadológica que dita e agrava a exclusão de certos grupos. Ademais, as pessoas se encontram em extrema individualidade com a pós modernidade, fato que impede a sensibilização e auxílio ao excluído.

A tecnologia se tornou algo essencial para a vida dos ser humano, porém, é algo totalmente ditado por uma indústria que vende e impõem produtos e comportamentos. Nesse sentido, o filósofo frankfurtiano Theodor Adorno, caracteriza essa “Indústria Cultural” como algo que aliena e cria necessidades sob uma perspectiva capitalista financeira. Desse modo, há grupos que não tem condições financeiras ou informacionais para suprir essas necessidades e são rapidamente descartados pela sociedade.

Ademais, a mudança dessa lógica cruel poderia partir da iniciativa da própria população, porém, estão alienadas pelo próprio sistema e impedidas de atuarem para além de seu núcleo de vivência. Por esse viés, o pensador contemporâneo Zygmunt Bauman refere a esse fenômeno como uma liquidez das relações tanto na realidade quanto na virtualidade. Nesse contexto, o filósofo descreve o comportamento de mercado atingindo os próprios indivíduos, na venda de sua própria imagem, a superficialidade das relações e a individualidade, atitudes que distanciam os extremos e impede uma maior inclusão dos marginalizados virtuais.

Dado o exposto, é necessário uma intervenção do Ministério da Ciência e Tecnologia, por intermédio das instituições de ensino, na disponibilização de computadores, smartphones, tablets e Kindles em escolas públicas e universidades para acesso público e gratuito. Com isso, jovens e idosos distantes da vida virtual poderão utilizar todas as ferramentas e aprender com auxiliares desse programa de inclusão (principalmente estudantes da instituição). Ademais, tal atitude poderá promover a superação da individualidade, visto que viabilizará o contato entre pessoas de diferentes realidades, amenizar a exclusão digital e encorajar essas pessoas a utilizarem os benefícios da tecnologia. Só assim, com a humanização do Estado e da população, será viável o combate das discrepâncias sociais e a superação da era dos extremos.