Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 17/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras na inclusão digital dos brasileiros, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas políticas e sociais, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas da exclusão digital. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à internet é um direito humano. Contudo, a realidade brasileira rompe com esse direito, visto que o acesso à internet e a produtos tecnológicos concentram-se nas “mãos” da elite brasileira, pois, devido suas condições financeiras, detêm acesso aos melhores aparelhos tecnológicos, as melhores infraestruturas de conexões com à internet e aos melhores processos de aprendizagem, que os garantem maestria no manuseio de tais produtos. Dessa forma, as classes pobres são excluídas dos processos de desenvolvimento por não possuírem as mesmas condições de participar de tais avanços. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 32% da população não tem acesso a aparelhos tecnológicos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a inclusão digital como promotora, também, de inclusão social. Em qualquer idade a inclusão no “mundo tecnológico” possui vários benefícios, tais como, informação rápida, aquisição de novos conhecimentos, ampliação de relações e a conectividade com a contemporaneidade. Conforme o filósofo francês Pierre Levy, na sociedade hiper-conectada, as informações mais relevantes para o dia a dia do cidadão estão na internet, sejam elas os fatos, os acontecimentos e as maneiras de acesso a espaços e direitos. Seria ideal que essa realidade fosse vigente na sociedade, porém, a desigualdade social revela justamente o oposto e o resultado desse contraste é refletido na exclusão digital. Segundo à Fundação Getúlio Vargas, o Brasil ocupa o 72º lugar no ranking global de taxa de acesso às tecnologias da informação.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de uma sociedade melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação, institua nas escolas, projetos de inclusão digital para a comunidade, como acesso gratuito a computadores com internet. Outra medida eficaz seria, implementar palestras, que visem esclarecer aos indivíduos sobre os processos de avanço tecnológicos. Dessa forma a coletividade estará inclusa na era digital.