Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

Em meados do século XX, o artista plástico Cândido Portinari retratou, na obra “Os Retirantes”, uma família de sai de uma região a outra em busca de melhores condições para se desenvolver. Semelhante ao cenário evidenciado pelo autor, muitos brasileiros protagonizam, hodiernamente, uma peregrinação em busca da superação da exclusão digital no Brasil. Tal fator, que corrobora a redução da desigualdade social no país, no entanto, é deturpado devido à inobservância governamental e ao difícil acesso à práticas tecnológicas por parte da população.

A princípio, é um fato relevante a displicência do Estado frente à escassez de subsídios à formação digital enfrentado pela sociedade. Nicolau Maquiavel, em “O Príncipe”, afirma que um governante tende a tomar decisões estratégicas que mantenham sua posição de liderança. Tendo isso em vista, é esperado que a oferta de recursos para a promoção da igualdade social, por meio da inclusão da comunidade no meio digital, seja negligenciada em detrimento de pautas mais populistas, que garantem mais votos. Logo, a manutenção do poder de parte dos gestores no Brasil ocorre às custas da desinformação e da ignorância da sociedade.

Outrossim, além do descaso do sistema público, a questão tem como agravante que a dificuldade de manter o hábito de acessar as tecnologias afeta a democratização da inclusão digital. Consoante a Teoria do Habitus, de Pierre Bourdieu, nossas condutas são resultado de condições culturais específicas de um corpo social. Dessarte, o desenvolvimento de práticas e experiências é imprescindível à manutenção e inclusão da cultura digital na sociedade, sendo necessários para que, ao ter contato constante com as técnicas, os cidadãos possam se tornar cada vez mais aptos. Assim, sem uma frequência de acesso aos meios, parte da população fica marginalizada do conhecimento tecnológico.

Em vista desses fatos, é indubitável que medidas são essenciais para reverter a situação. Primeiramente, cabe ao Governo investir na capacitação de profissionais que frequentem as casas dos cidadãos na oferta de conhecimentos digitais, para que todos possam ter acesso democrático ao meio tecnológico, a fim de amenizar os efeitos da exclusão digital. Paralelamente, cabe às ONGs ofertarem cartilhas que informem sobre qualquer oportunidade gratuita de acesso ao conhecimento tecnológico, com intenção de tornar mais fácil a inclusão digital, assim como sensibilizar a comunidade ajudar. Desse modo, será possível que as obras de Portinari não transmitam, ainda hoje, Brasil do século XX.