Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 28/08/2020

A Revolução de Papel

O ano de 1960 marca o início da Revolução Técnico-Científico-Informacional, a qual trouxe inúmeros avanços à sociedade, principalmente, relacionados à disseminação de conhecimento em escala global por meio da rede virtual. Contudo, nota-se que no Brasil contemporâneo esse avanço digital ocorre de modo desigual e, por conseguinte, grande parcela populacional é excluída e não recebe os benefícios dessa revolução. Dessa forma, impactos sociais e econômicos são gerados, os quais somente por meio de uma política social efetiva poderão ser minimizados.

Em primeiro momento, é de suma importância ressaltar como uma inclusão digital ineficiente gera intensos impactos sociais. Segundo o sociólogo Manuel Castells, a sociedade contemporânea está conectada em uma rede virtual, na qual grande contingente informacional é criado e compartilhado. No entanto, em um país que possui 25% da população sem acesso à internet (IBGE/2018) essa rede informacional se torna instrumento para a amplificação da desigualdade e, como consequência, um aumento da exclusão social.

Em decorrência dos impactos sociais, é possível notar os impactos econômicos, pois sem acesso aos meios digitais oportunidades educacionais (cursos online) e de trabalho são perdidas. Nesse sentido, é possível inferir que, quando uma parcela populacional é excluída do mundo digital a sua subsistência está em risco, assim como, a sua qualidade de vida. Determinado fato pode ser compreendido como anticonstitucional, visto que o artigo 6º da constituição garante direito à educação, ao lazer e ao trabalho, direitos esses que somente com uma inclusão digital efetiva poderão ser efetivamente garantidos.

Constata-se, portanto, que a inclusão digital ineficiente tem sérios impactos nas vidas brasileiras. Entretanto, medidas podem reverter esse cenário. O MCTI, em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Regional, pode criar locais de livre acesso à internet e a computadores, por meio de um mapeamento eficiente dos pontos com maiores déficits digitais, com o intuito de que mais pessoas possam exercer a sua cidadania e que o artigo 6º seja cumprido. Ademais, o MEC pode desenvolver “salas de informática” nas escolas, com o propósito de proporcionar maior democratização digital. Somente a partir dessas ações será possível minimizar os efeitos de uma inclusão digital ineficiente e tornar acessível os benefícios da 3ª Revolução Industrial.