Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 03/08/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a inclusão digital no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da insuficiência legislativa quando da desigualdade na distribuição de renda. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de pleno funcionamento da sociedade.
O filósofo John Locke defende que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. Entretanto, na questão da inclusão digital, a legislação não tem sido suficiente para a resolução do problema. Prova disso, foi pesquisa feita pela TIC Domicílios em 2019, a qual evidenciou que 74% dos brasileiros haviam acessado à internet, porém o índice de acesso variava entre as pessoas nas áreas urbana (77%) e rural (53%). Nota-se, portanto, que é extremamente necessário investir no acesso à internet nas regiões periféricas para que mais pessoas possam usufruir desta tecnologia.
Faz-se mister, ainda, apontar a concentração de renda como impulsionador da dificuldade de alcançar a inclusão digital. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) o Brasil tem a segunda maior concentração de renda do mundo. Por consequência apenas pequena parte da população possui recursos para comprar e utilizar das novas tecnologias, o que é inadmissível já que o Brasil tem o nono maior PIB do mundo.
Pode-se perceber, portanto, que é necessário investir mais em áreas periféricas e criar métodos para ensinar as pessoas a utilizarem as inovações digitais. Sendo assim, cabe ao governo promover a homogeneização do acesso às novas tecnologias através da criação de estabelecimentos que disponibilizem internet e computadores de forma gratuita às populações mais afastadas para que essas possam usufruir das informações que essas ferramentas disponibilizam. Ademais, é importante salientar que de nada adianta as pessoas terem acessos às ferramentas digitais como a internet, computadores e celulares se estas não souberem como manusear esses dispositivos. Desse modo o Ministério da Educação (MEC) deve reformular sua base comum curricular, por meio da inclusão de uma disciplina de ensino tecnológico de modo a ensinar sobre como utilizar essas ferramentas tecnológicas.