Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 30/07/2020

Embora a atual conjuntura mundial esteja imersa nos meios digitais, no Brasil ainda se observa uma realidade bastante adversa, já que boa parte da população nem mesmo dispõe dos recursos que possibilitariam tal inserção virtual. Essa é uma realidade alarmante e traz graves consequências, as quais transcendem o próprio impedimento de uso da Internet em si. Desse modo, evidencia-se a importância de garantir-se a mudança nesse cenário, que, conquanto seja de complexa resolução, não pode ser concebido como inexorável.

Quiçá o filósofo Herbert Marshall McLuham tenha sido certeiro ao propor a ideia de “Aldeia Global” na década de 60, quando afirmou que haveria um momento na história em que, com o avanço da rede mundial de computadores, o mundo transformar-se-ia em uma grande “teia”, de modo que todos estariam interligados. Isto é, para o pensador a distância entre as pessoas do globo seria encurtada, uma vez que capacidade haveria de todos saberem de tudo, a qualquer instante ou momento. Apesar da teoria de McLuham ter, de fato, se concretizado, é notório que a “teia” descrita apresenta muitas falhas, visto que a difusão das tecnologias, sobretudo as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), não se sucede de maneira igualitária. Um grande exemplo dessa falta de inclusão digital é o Brasil, país no qual, consoante dados do IBGE, 45,9 milhões de pessoas não têm disponibilidade de Internet.

Com efeito, a falta de uma democratização dos meios digitais se traduz em exclusão social, uma vez que na sociedade hodierna é através da Internet que os indivíduos obtêm a maior parte das informações e meios necessários para que consigam trabalhar, se comunicar com outras pessoas, estudar, obter direitos, etc. Essa desigualdade digital existente, é ainda mais notória em épocas excepcionais, como a qual é vivenciada atualmente, devido a pandemia de Coronavírus(Covid-19), nas quais atividades realizadas no mundo virtual ganham ainda mais indispensabilidade. Além do exposto, é importante salientar que a falta de inclusão digital se dá de diversas formas, que vão desde a não disposição de equipamentos até ausência de instrução para capacitação de uso desses.

Então, com o intuito de melhorar a democratização do acesso as TICs, seria conveniente que houvesse maiores investimentos do governo federal, juntamente com os governos estaduais, na direção de  subsidiar planos de internet para a população mais carente e disponibilizar meios eletrônicos para que pudessem usufruí-los. Assim como, através do Ministério da Educação, planejar investir no letramento digital das pessoas, desde cedo, nas escolas.  Desse modo, a desigualdade digital seria amenizada e ,consequentemente, haveria maior inclusão digital no Brasil.