Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 17/08/2020

Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou o acesso à internet como direito humano, considerando todas as possibilidades de ascensão social, política e econômica oferecidas por essa ferramenta. Entretanto, no Brasil atual, a efetivação desse direito não se fez completamente presente. Diante dessa perspectiva, deve-se avaliar como o analfabetismo digital e as desigualdades regionais geram impactos negativos à população.

Em primeiro plano, vale ressaltar a exclusão causada pela falta de letramento digital. Nesse sentido, Nelson Mandela, ex-presidente sul-africano, dizia que a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo. A esse respeito, a falta de políticas públicas que ensinem o domínio de técnicas e habilidades para usufruírem do meio cibernético impede que pessoas como idosos e de baixo nível de escolarização possam utilizar do mesmo. Desse modo, enquanto faltarem instruções, parcela da população brasileira será impedida de beneficiar do seu direito.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a disparidade entre as regiões brasileiras no contexto em questão. Nesse viés, Milton Santos, geógrafo brasileiro, dividiu o território em quatro zonas a partir da difusão do meio técnico-científico-informacional, evidenciando a marginalização tecnológica em áreas como Nordeste e Norte. Com isso, a partir da perspectiva abordada pelo geógrafo, parcelas regionais, sem contato com computadores e outros aparatos tecnológicos são privadas da acessibilidade a serviços e informações. Todavia, enquanto houver áreas desassistidas, será impossível acabar com a privação eletrônica.

Torna-se evidente, portanto, que o direito ao acesso à internet seja, de fato, assegurado na prática, como prevê a ONU. Em razão disso, o Ministério da Educação deve proporcionar às escolas investimento tecnológico, como profissionais capacitados e dispositivos eletrônicos, para realização de aulas abertas para toda comunidade, a fim de instruir os cidadãos a lidarem com as tecnologias da informação. Ademais, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve fomentar a inclusão digital da população mais pobre, por meio da ampliação de programas de subsídio e de barateamento de equipamentos, como também, a expansão da infraestrutura tecnológica, com intuito de integrar todos os habitantes sem distinção. Assim, o Brasil poderá se ver livre da segmentação pautada por Milton Santos.