Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 11/09/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como a exclusão no mundo virtual das minorias sociais. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social, que acaba dificultando o acesso igualitário ao mundo virtual, quanto do desabono infraestrutural.
Em abordagem inicial, vê-se que a marginalização social dos indivíduos de poder aquisitivo menor corrobora para a exclusão digital. Nessa perspectiva, ganha voz o pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, o qual defendeu que a desigualdade surge com a noção de propriedade privada e a busca pela acumulação de riquezas. Na esteira dessa ideia, nota-se que em virtude do sistema capitalista atual, ocorre discrepância do acesso digital na sociedade, pois o poder de compra das classes baixas é inferior ao das classes média/alta, fazendo com que indivíduos menos favorecidos tenham dificuldade em adquirir aparatos tecnológicos, e, consequentemente, são excluídos do virtual.
Além disso, a exclusão digital encontra terra fértil no campo do descaso infraestrutural governamental. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através deste trecho do poeta modernista brasileiro Carlos Drummond de Andrade, vê-se que, não bastasse a dificuldade da população pobre em possuir as tecnologias digitais, ainda existe exclusão infraestrutural, ou seja, as minorias também não possuem condições financeiras de possuírem internet paga e não recebem o devido apoio governamental nessa área. Assim, fica claro que o não fornecimento de internet pública gratuita por parte do Governo, funciona como um empecilho na busca pela inclusão virtual.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem mitigar a exclusão digital na sociedade brasileira. A priori, compete ao Governo, em parceria com o Ministério da Infraestrutura, garantir acesso à internet gratuita em comunidades/subúrbios, por meio da criação de redes wi-fi compartilhados e espaços digitais, com o intuito de fomentar a inclusão das minorias no mundo virtual e diminuindo a disparidade no acesso entre as classes sociais. Com essas ações, espera-se mitigar a barreira da exclusão da população pobre do mundo virtual.