Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 09/10/2020
No verso “no meio do caminho tinha uma pedra”, o escritor Carlos Drummond de Andrade, usou de metáfora para relacionar pedras à desafios. Nesse contexto, análogo a citação é notório “pedras” no “caminho” para inclusão digital no Brasil. Isso decorre principalmente seja por negligência Estatal, seja por individualismo social.
A princípio, partes significativas dos brasileiros não possuem acesso aos meios digitais. Nesse sentido, segundo a Organização das Nações Unidas ( ONU), o acesso à internet é um direito humano do século 21. Desse modo, o Brasil como membro da ONU, deve efetivar a inclusão digital, ou pelo menos reduzir as desigualdades no acesso à rede, por exemplo, em bairros nobres o acesso à internet é excelente, enquanto que em bairros pobres o acesso é ínfimo ou inexistente. Logo, devido à desigualdade na infraestrutura e aos altos custos de instrumentos digitais, parcela dos brasileiros não gozam do pleno exercício de cidadania.
Em segunda análise, a sociedade é alheia em oferecer ajuda aos que não são aptos as redes, então, idosos e pessoas com dificuldade no acesso à internet são estigmatizadas. Nessa perspectiva, de acordo com filósofo Zygmunt Bauman, que analisou a sociedade pós- modernidade, concluiu que as pessoas são individualistas e velozes - assim, ou não tem paciência, ou não tenho tempo para ensinar sobre internet. Desse modo, em um mundo hiperconectado os indivíduos que não usam a internet ficam sem informação e socialização, configurando a exclusão digital. Contudo, é imprescindível o letramento virtual, para habilitar a todas as pessoas o pleno conhecimento dos recursos digitais.
Evidencia-se, portanto, que para a inclusão digital se torne eficiente, cabe ao Congresso Nacional, alterar a lei de Diretrizes Orçamentárias, a fim de destinar maior verba ao setor tecnológico, esse recurso deverá ser destinado a infraestrutura, para que todo o território nacional tenha acesso à internet, além de parceria com empresas para baratear o custo de aparelhos, haja vista que o desafio financeiro dificulta as pessoas carentes de comprar instrumentos digitais. Assim, a desigualdade será reduzida paralelamente, o aumento da inclusão digital. Ademais, compete ao Ministério da Educação oferecer minicursos de letramento digital, com professor professores da área tecnológica e voluntários, em espaços públicos para que os idosos e pessoas que tenham dificuldades sejam integrados no meio digital. Dessa maneira, as “pedras” serão removidas e o “caminho” para inclusão ficará livre.