Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 24/10/2020
A revolução técnico-científico-informacional foi responsável por incluir a tecnologia ao cotidiano mundial, fazendo com que a internet se tornasse essencial aos indivíduos, seja para o trabalho, estudo ou lazer. Em contraposição à transição das coisas e processos ao ciberespaço, no Brasil nota-se que a inclusão digital da população em sua totalidade ainda é um desafio a ser superado. Esse contexto, cada vez mais necessário ao cidadão, é dificultado pela negligência estatal, e acaba por segregar os que não possuem acessibilidade.
A princípio, é fundamental pontuar o porquê de o acesso aos meios digitais não ser um ato possível à todos. À medida que o país evolui, é indubitável que o Estado seja capaz de atender às necessidades populacionais, incluindo a democratização do acesso à internet, celulares e computadores. No entanto, ao encontro do pensamento do filósofo Charles Mills, a negligência estatal é a maior causa dos problemas sociais e, nesse caso, se faz presente na falta de amparo aos cidadãos para com o uso desse meios. Desse modo, apesar da existência de programas sociais de ajuda financeira, esses não são suficientes para competir com os altos preços e impostos acerca dos materiais tecnológicos necessários.
Por conseguinte, observa-se que essa conjuntura é responsável pela exclusão dos que são desprovidos de tais recursos. Segundo o filósofo Pierre Lévy, toda tecnologia tem seus excluídos e, nesse viés, essa restrição não surge apenas no âmbito social, mas também no educacional e econômico. Dessa maneira, o indivíduo fica isento de oportunidade de trabalho, novas formas de estudo e aprimoramento, assim como a informatização e socialização, ações que foram otimizadas pelos recursos digitais. Sendo assim, é inadmissível, para um país em desenvolvimento como o Brasil, que seus habitantes sejam privados das evoluções de um mundo globalizado.
Destarte, imprescindível a criação de medidas sistêmicas que solucionem essa problemática. Cabe, portanto, ao Governo Federal - entidade responsável pela manutenção das leis -, vinculando-se ao Ministério da Cidadania e empresas de tecnologia, instituir um Programa Social de transferência de renda voltado para o acesso aos meios digitais, disponibilizando bolsas e opções mais baratas para adquirir celulares, tablets, computadores e planos de internet, de modo a possibilitar o acesso da população mais necessitada. Assim, com essas medidas, será possível que o país avance sem retrocessos a população.