Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 23/10/2020
O episódio “Queda livre”, da série norte-americana Black Mirror, retrata a história de uma comunidade altamente digitalizada, na qual todas as interações entre indivíduos são regidas pelo mundo cibernético. Fora das telas, entretanto, o longa não representa de maneira fidedigna a realidade de muitos brasileiros que ainda lutam para se inserirem no processo de inclusão digital contemporâneo. Nesse cenário, é preciso compreender as causas que dificultam esse processo de inserção e as consequências destas na vida da população.
Em primeiro momento, faz-se necessário entender quais são os empecilhos enfrentados durante o desenvolvimento da inclusão digital para todos. Assim, a falta de acesso de maneira igualitária às chamadas “Tecnologias da informação e comunicação”, TICS, tal como computadores, sistemas de rede de acesso e outros eletrônicos, corrobora para a dificuldade de contenção da exclusão de parcelas mais marginalizadas socialmente. Além disso, a exclusão financeira também é fator de impedimento para o avanço digital, uma vez que, com o encarecimento dos produtos eletrônicos, o acesso à internet torna-se cada vez mais elitizado, consolidando uma realidade de minorias excluídas digitalmente. Nesse sentido, consoante dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, cerca de trinta por cento do Brasil ainda não possui acesso ao meio digital. Dessa forma, a problemática enfrentada acarreta inúmeras consequências negativas para o crescimento do país. Assim sendo, a limitação do uso do ciberespaço prejudica a formação social do cidadão, o qual tem seu acesso às informações, documentos e entretenimento prejudicado, ao contrário do proposto pela Organização das Nações Unidas, ONU, a qual afirma que a informação tecnológica para todos é um direito do século XXI. Ademais, esses cidadãos excluídos tendem a se sentirem estigmatizados, segundo Goffman, pois se encontram à margem do progresso tecnológico e do letramento digital. Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que implementem a inclusão digital no Brasil. Portanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, em parceria com as prefeituras locais, o oferecimento de planos de auxílio no campo da informática que visem democratizar o acesso digital, dispondo de mais computadores em escolas e bibliotecas públicas, a fim de atenuar a disparidade social existente. Outrossim, cabe ainda ao Ministério, por meio da criação de programas públicos, ampliar as áreas de alcance wireless, WIFI, dos centros para setores mais prejudicados socialmente, juntamente com a doação de aparelhos desktops para essas comunidades, com o fito de incluir cada vez mais pessoas no processo de desenvolvimento digital, garantindo esse direito como proposto pela ONU e se aproximando da sociedade de Black Mirror.