Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 11/11/2020

Segundo a Organização Mundial das Nações Unidas, mais de três bilhões de pessoas não têm acesso à internet, dado que tornou a Inclusão digital parte dos 17 pontos para um Desenvolvimento Sustentável, defendidos pela própria organização. No Brasil, a desigualdade digital atinge as parcelas mais vulneráveis da sociedade contemporânea e aponta para a necessidade urgente de metas que revertam essa situação. Nesse contexto, é importante destacar que a primeira desigualdade a ser combatida é a socioeconômica, que priva parte da população ao acesso digital, além de ressaltar que a falta de educação tecnológica contribui para agravar as disparidades digitais no Brasil.

Em primeiro plano, deve-se reconhecer que a desigualdade socioeconômica é o principal impasse na busca de uma inclusão digital verdadeira. Nesse sentido, a ONU classifica a exclusão digital em três categorias, sendo que a de acesso pode ser aplicada à realidade brasileira, na qual há uma dificuldade em conseguir adquirir aparelhos e acesso à internet. Esse cenário, contudo, contribui para perpetuar as diferenças regionais, raciais e sociais, resultando em um país onde as pessoas de classes mais baixas ou de regiões remotas são excluídas de todos os benefícios da rede digital. Logo, não há como reduzir as disparidades no meio tecnológico sem, antes, ater-se às questões históricas de desigualdades econômicas.

Faz-se mister, ainda, compreender que o avanço no acesso ao meio digital implica educar a população para o uso correto dessas tecnologias. Segundo Umberto Eco, “a rede social deu voz a uma legião de imbecis”, não se tratando, necessariamente, de pessoas mal intencionadas, mas, sim, da falta de instrução para utilizar as redes. Sendo assim, o analfabetismo digital corresponde a uma forma clara de exclusão e, portanto, deve ser combatido. Dessa forma, percebe-se que as medidas de combate à exclusão tecnológica devem tratar do acesso e, também, do uso.

Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Para tanto, o Ministério da Tecnologia deverá retomar o programa “Computador para Todos”, iniciado em 2015, proporcionado um acesso amplo aos recursos digitais, que será alcançado através de parcerias público-privadas com empresas do ramo tecnológico. Dessa forma, será possível uma redução significativa na desigualdade digital entre as diferentes camadas sociais e, assim, o governo brasileiro estará mais perto de alcançar um desenvolvimento sustentável tal qual defendido pela ONU.