Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 10/12/2020
O conceito de entropia da Física mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne à inclusão digital no tempo presente, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos na presente questão, que persiste sendo influenciada pela desigualdade social e o oferecimento precário da rede de internet em determinados lugares.
Em primeira análise, de acordo com Claude Levi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Destarte, o mais relevante dos acontecimentos que corroboram a problemática é a desigualdade social que existe no Brasil desde a sua fundação. Diante disso, com advento do computador, no final da década de 1980, e da internet, no final da década seguinte, esses itens são pouco comuns nos lares das classes populares. Isso se dá pelo alto valor do produto que, associado à configuração socioeconômica da maior parte da população brasileira, impede, desde os últimos 30 anos, o pleno acesso da camada mais pobre à inclusão digital.
Além disso, outro desafio que se estabelece na contemporaneidade é o oferecimento precário e desigual do serviço de internet no Brasil. De acordo com a revista Veja (2016), os bairros nobres da cidade de São Paulo, como o Moema, tem uma banda larga equivalente a alguns países europeus de primeiro mundo. Em contra partida, algumas cidades do estado do Maranhão, por exemplo, têm um serviço muito aquém da média. Isso ocorre por fatores socioeconômicos, conforme o parágrafo anterior, e territoriais, pois existe ainda um desinteresse mercadológico das empresas de telecomunicações em expandir o serviço para as localidades rurais e distantes dos grandes centros financeiros e comerciais do país. Essa mesma lógica se estende às regiões periféricas das metrópoles.
Em virtude dos fatos mencionados, torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre óbice. Dessa forma, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos nacionais, a fim de remanejá-los às áreas que mais necessitam. Com isso, levar a internet de qualidade para a parcela populacional que dela precisa, além de garantir aos mais pobres todo o equipamento necessário para que seja possível usufruir de todas os avanços tecnológicos voltados, principalmente, para a educação, informação e possível fonte de renda. Só assim a inclusão digital será verdadeiramente democrática.