Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 30/12/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.“Simbolicamente, de forma análoga ao poema modernista de Carlos Drummond de Andrade, nota-se que durante o percurso da caminhada social há obstáculos.Nesse viés, os desafios do processo de inclusão digital no Brasil contemporâneo ainda é um grave problema social. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover a inclusão digital de forma abrangente e acessível a fim de fechar lacunas resultando em uma inclusão abrangente e isonômica.
Diante desse cenário, substancial parcela da população não têm acesso à internet. Não há como promover inclusão digital isonômica em uma sociedade marcada por desigualdades. A esse respeito, em uma das falas da ONU - Organização das Nações Unidas - em 2014 acrescenta que o acesso à internet é um direito humano do século XXI, dessa forma, as Nações Unidas adicionaram mais um direito à promulgação dos direitos humanos de 1948. Ocorre que a ausência de planejamento eficiente do estado significa condenar e inviabilizar o acesso à internet dessa parcela da população, tornando esse direito internacional em privilégio, uma vez que,exclusão digital também é exclusão social.
De outra parte, há outras gradações que evidencia a gravidade da inclusão digital fragilizada. A falta de recursos que muitos cidadãos vivem diariamente destaca a fragilidade. Passando por diversas falhas como por exemplo: exclusão instrumental,infraestrutural e financeira e a cognitiva são lacunas que precisam ser fechadas.A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi” isto é, quando as instituições perdem sua função social, mas o Estado ainda mantém sua forma a todo custo. Assim,a falta de incentivos e recursos direcionados à inclusão digital fragilizam as interações online ferindo gravemente a inclusão desses cidadãos.
É urgente, portanto, que esse ciclo seja interrompido. O Estado precisa ser estratégico e remanejar recursos para as outras autarquias. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento deve investir e promover a ampliação das redes de internet no Brasil. O Ministério da Educação em união com as escolas devem fazer um planejamento ao letramento digital através de cursos e workshops. Essa iniciativa poderia se chamar “Inclusão Presente” com adaptações às necessidades e as faixas etárias para dessa forma, capacitar alunos e a comunidade como um todo. Fica a cargo do IBGE mapear as áreas fragilizadas para possibilitar uma maior cobertura inclusiva, levando ônibus com acesso e recursos às localidades mais remotas com a finalidade de conectar e garantir o acesso a quem está mais distante. Assim, fecharia gradualmente as lacunas, possibilitando o acesso inclusivo e retirando as pedras do caminho assim como na poesia de Drummond.