Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 18/12/2020
A transição da Idade Média para a Moderndade ocorreu com intensas rupturas nas relações sociais. Nesse contexto, o coletivismo cedeu espaço para o bem individual ou para o benefício de um grupo restrito. Logo, no século XXI, problemáticas como a falta de inclusão digital no Brasil são impulsionadas pela ganância e pela hipocrisia.
Primordialmente, de acordo com Maquiavel, a natureza humana é gananciosa. Ao analisar a afirmativa, percebe-se a intrínseca relação entre a ganância e os comportamentos de uma porção dos brasileiros que buscam o lucro de maneira exacerbada. Exemplo disso é notório na concentração de melhorias na rede de internet nos bairros nobres, uma vez que o público aceita as propostas sem questionamentos sobre os altos valores cobrados, no entanto, áreas periféricas não recebem os mesmos benefícios, pois para a grande parcela dos moradores os preços são inacessíveis, fator gerador de desinteresse dos empresários que não podem lucrar grandiosamente. Segundo a revista Veja, a Zona Sul de São Paulo - área nobre - possui internet exemplar, ao contrário de outras regiões; dessa forma, pessoas de baixa renda são excluidas progressivamente do cenário digital.
É válido abordar também que hipocrisia representa, conforme o “Oxford Languages”, característica baseada na demonstração de um discurso desconexo com a realidade. Após interpretar o conceito, é possível associá-lo com as falácias de representantes políticos sobre o investimento tecnológico para as instituições de ensino do Brasil. A título de ilustração, têm-se as ínfimas aplicações financeiras dos Governadores dos estados nas escolas públicas - visivelmente deficientes de recursos digitais -, enquanto, constantemente são divulgadas nas redes sociais do governo sobre o desenvolvimento de aplicativos diferenciados para auxiliar os processos pedagógicos. Consequentemente, fatores declarados fundamentais no aprendizado pela Universidade de São Paulo, como o intercâmbio de informações mediados pela internet, tornam-se inalcançáveis para as escolas que não possuem computadores e outras ferramentas adequadas.
Indubitavelmente, medidas para conter a exclusão digital devem ser elaboradas. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria de Alfabetização, a criação de projetos de ampliação da consciência cidadã que estimulem pais e crianças das séries iniciais a dialogarem sobre os impactos negativos de diferenciar o tratamento com as pessoas de acordo com poder aquisitivo, por meio de atividades lúdicas e peças teatrais. Além disso, é dever dos responsáveis pelas mídias governamentais analisarem a coerência das postagens de acordo com a realidade brasileira. Tudo isso deve ser feito a fim de garantir uma efetiva inclusão digital no Brasil contemporâneo.