Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 24/12/2020

A Organização das Nações unidas (ONU) em um relatório diz “O acesso à internet é novo direito do século XXI”. Contudo, esse documento é ferido com os casos de exclusão digital no país, os quais, além de dificultar o exercício da cidadania, impossibilitam a acessibilidade aos aparatos digitais. Desse modo, essa problemática é impulsionada, sobretudo, ora pela diferença de disponibilidade de rede nas regiões, onde umas são mais assistidas que outras, ora por negligência estatal, que não contam com ações de democratização tecnológica. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar da invenção do primeiro computador por Allan Turing, no período da Segunda Guerra Mundial, e como a rede mundial se desenvolveu. Hodiernamente, esse avanço ficou restrito a algumas regiões, as quais, com mais acessibilidade, têm obtenção de novos recursos e meios tecnológicos, enquanto em outras, não há sequer disponibilidade energia elétrica, o que dificulta a prosperidade social, como consolida o reitor da Universidade da Califórnia Lemuel Castells ao dizer que desenvolvimento sem internet é semelhante à industrialização sem eletricidade“. Na série britânica Black Mirror, é retratado uma sociedade hiperconectada onde são expulsas dela pessoas que não usam tecnologia, evidenciando a exclusão e como a ficção imita à realidade.

Outrossim, a filósofa Hannah Arendt, em seu arcabouço de banalidade do mal, afirma que o estado negligência situações problemas na sociedade. De maneira análoga, essa teoria aplica-se ao cenário brasileiro, haja vista a falta de políticas públicas que visem a abrangência e a democratização do alcance de rede, possibilite o processo de inclusão e impeça a perpetuação do analfabetismo e da pobreza em áreas vulneráveis. Segundo o site G1, mais de 46 milhões de brasileiros não têm acesso a computadores, e o Governo não conta com medidas eficazes para sanar à situação, o que comprova que quando a trivialização é regra, a inclusão é exceção.

Por conseguinte, compete ao Governo Federal, em parceria com Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a maior destinação de investimentos, por meio de um programa de realocação de verbas, para a construção de locais de acesso à internet gratuito a população, com o fito de reparar as diferenças tecnológicas regionais e diminuir a desigualdade, a pobreza e proporcionar o desenvolvimento. E só assim, com medidas graduais e progressivas, consolidar a inclusão digital e fazer valer ao relatório da ONU.