Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 29/12/2020

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o analfabetismo digital e a inclusão digital no país, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, os quais estão relacionados não só à ausência do Estado, como também à acessibilidade nos meios digitais.

Deve-se destacar, de início, a ausência de medidas governamentais para combater tal problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que a baixa inclusão digital dos brasileiros rompe com as defesas do filósofo iluminista, uma vez que não há no país um ensino dedicado à utilização do ambiente virtual. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, milhares de cidadãos sejam analfabetos digitais, sendo marginalizados no mundo digital no qual o Brasil está inserido.

Ademais, é fundamental apontar a falta de acessibilidade como impulsionadora do problema no país. Nesse viés, segundo dados do site Tecmundo, menos de 50% dos aplicativos disponíveis nas lojas virtuais possuem algum tipo de acessibilidade para pessoas com deficiência. Diante de tal exposto, pessoas surdas, privadas de visão ou com visão reduzida têm dificuldades em manusear as tecnologias atuais, pois o seu acesso não é facilitado na maioria dos aplicativos e sites da internet. Desse modo, essa parcela da população também é excluída social e digitalmente, sendo inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de aulas e palestras, eduquem a população sobre o uso das tecnologias. Diante disso, as aulas serão destinadas aos alunos do ensino regular e as paletras paras as pessoas que já concluíram a escola. Deverá haver, também, profissionais qualificados para a função e um plano de ensino que poderá ser utilizado em todo o Brasil. Além disso, as empresas criadoras de aplicativos devem implementar, por meio da insersão de novos recursos, meios para que pessoas tenham o acesso e a atulização das aplicações facilitadas. Assim, se consolidará uma sociedade menos segregacionista, na qual o Estado desempenha corretamente seu papel, tal como afirma Rousseau.