Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 29/12/2020
O período geopolítico conhecido como Guerra Fria foi marcado por expressivos avanços tecnológicos, a destacar, por exemplo, o surgimento e a posterior popularização da internet. Contudo, mesmo na atualidade, a plena democratização e inclusão digital ainda permancem como metas distantes no Brasil. Nesse sentido, fatores como marginalização econômica e analfabetismo virtual tornam-se desafios a superar.
Vale destacar, inicialmente, a segregação enfrentada por grupos carentes de recursos financeiros como tópico crítico da questão. Sob esse viés, a elaboração da Constituição Cidadã, há 32 anos, baseou-se na garantia irrestrita de igualdade civil entre todos os brasileiros. Entretanto, percebe-se que a realidade prática destoa dos pilares legislativos, uma vez que dados do Ministério da Tecnologia indicam 1/4 dos brasileiros como desprovidos do direito basilar de acesso à rede. Tal panorama, portanto, é excludente e segregacionista e, por isso, deve ser eficazmente alterado.
Ademais, o desconhecimento funcional acerca dos usos digitais torna-se agravante da conjuntura. Nessa perspectiva, o geógrafo Milton Santos, em seu livro ‘‘O Espaço do Cidadão’’, desenvolve a tese de que o elitismo social se manifesta por intermédio da ‘‘cortina invisível’’ do conhecimento. Assim sendo, aqueles que não dominam o espaço virtual sofrem limitações da condição humana e social, além de tornarem-se periféricos em uma comunidade estritamente informatizada. Logo, medidas amplas devem ser postas em prática para superar a problemática.
Diante dissso, compete ao Ministério da Tecnologia construir espaços de integração eletrônica, denominados ‘‘Casa da Inclusão’’, por meio de uma parceria com a Receita Federal. Por sua vez, a colaboração deve destinar 2% dos tributos anuais para estruturar e financiar locais que ofertem não só internet gratuita para populações carentes, mas também cursos de letramento virtual. Com isso, objetiva-se romper com a exclusão financeira e com o despreparo humano. Dessa maneira, as ferramentas advindas da Guerra Fria hão de ser solidamente democratizadas.