Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 04/01/2021
Desde o advento da internet, o mundo passa pela chamada Revolução Digital, período em que à disponibilidade e a circulação de informação foi facilitada, causando uma ruptura de caráter econômico e social. Porém, tal avanço também trouxe consigo uma série de complicações, na medida em que a privação à essas novas tecnologias têm impacto relevante na mobilidade social e inclusão dos indivíduos na sociedade contemporânea. Neste contexto, é importante compreender dois fatores que limitam os cidadãos a terem acesso amplo a esse direito fundamental, a desigualdade social e o analfabetismo digital.
Em primeiro lugar, é preciso apontar a relação do acesso à estas novas ferramentas com a disparidade econômica encontrada no Brasil. Visto que, a internet é uma forma de democratização do conhecimento, a sua restrição resulta no agravamento de iniquidades já presentes no país. Tal perspectiva pôde ser exemplificada recentemente, devido à pandemia causada pelo novo Coronavírus, em que, segundo o Datafolha, 1 em cada 5 alunos da rede pública ficaram sem a possibilidade de realizar as atividades escolares. Sendo, neste cenário, tangível os impactos no aprendizado dos estudantes das classes menos favorecidas, em razão da precariedade de acesso informacional.
Ademais, outra consequência proeminente deste fenômeno está ligada a inclusão social. Posto que, em um mundo gradativamente mais digital, a intimidade com estes dispositivos é um fator fundamental na integração e comunicação interpessoal. Esta conjuntura, foi abordada pelo pensador Pierre Levy, em seu livro “Cibercultura”, em que ele dissertava que a sociedade está cada vez mais conectada pelo advento da internet, ao ponto que o virtual e o real se tornam gradativamente indissociáveis. Neste sentido, aqueles que não estão inseridos nessas novas estruturas ou não têm fluência com tais tecnologias, acabam sendo marginalizados, tendo uma série de direitos limitados. Assim, revelando como a alienação à essas inovações é impedidora para uma cidadania completa.
Em resumo, é tangível a influência da democratização digital para diminuir as discrepâncias na sociedade brasileira, assim como melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma parceria público-privado, realize uma política de auxílio à inclusão digital, transferindo fundos para a compra e distribuição de equipamentos e dados para os mais necessitados, realizando concomitantemente cursos que busquem capacita-los a usar estes materiais em sua totalidade, com o fim de auxilia-los na introdução ao ambiente virtual. Só assim, será possível minimizar a quantidade de pessoas privadas desses instrumentos advindos da Revolução Digital, visando uma sociedade mais justa e igualitária.