Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 07/01/2021

A série norte-americana “Black Mirror”, em um contexto futurístico, imagina como a humanidade terá que conviver com a tecnologia. Fora da ficção, embora as tecnologias estejam cada vez mais presentes na vida do ser humano, percebe-se uma segregação de parte da população, que não é contemplada com esses recursos. Isso ocorre devido à desigualdade social, enraizada durante a história, que os priva de adquirirem os aparelhos necessários, assim como a falta de alfabetização digital de certa massa da sociedade.

Releva-se abordar que, durante a Guerra Fria - uma disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a União Soviética - muitas tecnologias foram desenvolvidas. Esse feito possibilitou a criação da internet, computadores e celulares, que têm facilitado e tornado mais cômoda a vida do ser humano. Contudo, na realidade brasileira, percebe-se que uma grande parte da população não tem recursos financeiros para adquirir esses aparelhos e mais de 30% sequer tem acesso à internet, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o ser humano tem sua cidadania comprometida e, em um mundo globalizado, estar à parte das tecnologias torna-se extremamente prejudicial. Dessa forma, é necessário democratizar o acesso a esses meios, já que é um direito humano do século XXI, assim como declarou a Organização das Nações Unidas (ONU).

Paralelo a isso, vale ressaltar que há uma exclusão cognitiva do meio digital. Isso ocorre com pessoas de baixa escolaridade, que encontram dificuldades na utilização da tecnologia. Da mesma forma, idosos veem-se desamparados dentro da sociedade digital, em virtude de terem nascido em uma diferente época. Contudo, na contemporaneidade, estar integrado com as tecnologias tornou-se indispensável, visto que as informações mais importantes do dia a dia estão na internet. Desse modo, necessita-se uma inclusão digital de todas as camadas da população, pois, como proferiu Steve Jobs, o criador da Apple, “a tecnologia move o mundo”.

Portanto, a discussão acerca da inclusão digital faz-se imprescindível. Nessa lógica, incumbe-se ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) o investimento na ampliação da rede de internet para as áreas mais periféricas, assim como a concessão de subsídios que ajudem a população de baixa renda na compra de aparelhos tecnológicos. Cabe também ao MCTI, juntamente com o Ministério da Educação (MEC) a promoção de palestras ministradas por profissionais em computação, realizadas nas escolas, que auxiliem idosos e pessoas menos escolarizadas na utilização das tecnologias vigentes na sociedade. Feito isso, será possível efetivar a cidadania de todos e garantir o direito à tecnologia.