Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 08/01/2021

A Constituição de 1988 exprime que é dever da República Federativa construir uma sociedade justa, livre e solidária, promovendo, assim, o bem de todos. Entretanto, essa prerrogativa não é feita com sucesso no século vigente quando se observa a urgência de caminhos para a inclusão digital no Brasil contemporâneo, o que dificulta, deste modo, a efetivação dessa garantia social indispensável. Nesse sentido, faz-se mister analisar quais os motivos por trás desse cenário tão debilitado, que é fruto tanto da negligência do Estado, quanto da ausência da educação como instrumento transformador.

Em primeira análise, segundo o filósofo inglês John Locke, quando o Estado não cumpre sua função de assegurar que os cidadãos desfrutem de seus direitos fundamentais, há a violação do “contrato social”. Sob tal ótica, a inércia do Governo na criação de políticas públicas eficientes, as quais consigam contornar o quadro social vivido hodiernamente, atua como uma das principais dificuldades na busca por soluções para a democratização da internet no país, o que propicia a condição figurada por Locke. Dessa forma, a origem de um grupo vulnerável e impossibilitado de se incluírem no meio digital é inquestionável, uma vez que no mundo atual a necessidade da comunicação virtual se torna ainda mais evidente, e a falta dela propicia demasiados obstáculos no convívio pessoal e na procura por trabalho.

Ademais, a carência de acesso à educação por parte de jovens brasileiros estimula um cenário em que a formação dos estados físicos e morais requeridos pela sociedade é quase inexistente. Destarte, essas pessoas não conseguem se ascender socialmente, visto que se tornam exploradas e humilhadas por aqueles que detém o saber, o que instiga a perpetuação das desigualdades socias, logo, a falta de possibilidades para a obtenção de aparelhos tecnológicos. Partindo desse pressuposto, o fortalecimento de instituições escolares é imprescindível, dado que, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, a esfera educacional é o principal meio de introdução das pessoas na comunidade.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para que a meta da inclusão digital no Brasil se torne possível. Em suma, o Governo Federal - entidade encarregada pelo progresso nacional - deve aprimorar e adequar políticas ao contexto contemporâneo, além de aumentar a quantia investida no setor de educação tecnológica. Isso deve ser feito por intermédio de um melhor direcionamento orçamentário a essa causa, a fim de diminuir a escassez de oportunidades para pessoas com menor poder aquisitivo, e consolidar as associações sociais para que a própria população se conscientize da importância da democratização digital A partir dessas ações, o Brasil poderá promover com êxito o cumprimento da Carta Magna.