Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 11/01/2021

“Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. Tal frase, contida no clássico literário “A Revolução dos Bichos”, remete a um contexto em que a exclusão social expunha uma faceta da desigualdade. Semelhantemente, no Brasil contemporâneo, a inclusão, sob o aspecto digital, é necessária para a isonomia dos cidadãos, e obstáculos socioeconômicos e geográficos devem ser combatidos para que isso se concretize.

Sabe-se, em primeiro plano, que de acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, contudo, o acesso à tecnologia ainda é desigual na sociedade brasileira. Nesse sentido, as tecnologias da comunicação mostram-se contundentes hodiernamente, pois estão inseridas nos diversos eixos da estrutura social. Assim, ao não inserir-se no conhecimento tecnológico, um cidadão perde oportunidades diárias, pois, atividades como compra e venda, divulgação de informações e ofertas de emprego são produzidas em canais informatizados. Porém, embora a integração do homem com a tecnologia seja cada vez mais incisiva, de acordo com dados do Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística ela é desigual, porque a diferença no acesso a tecnologias de comunicação alcança o índice de 80% entre cidades brasileiras.  Desse modo, infere-se que a inclusão digital é uma meta a ser estabelecida no cenário tupiniquim.

Constata-se, ainda, que de mesmo modo que à época da Proclamação da República a notícia da independência demorou anos para alcançar a população brasileira em cidades interiorizadas e em camadas sociais mais baixas, hoje, aspectos geográficos e socioeconômicos também modelam o acesso às tecnologias. Nesse contexto, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas, o alcance dos novos mecanismos de comunicação é maior em cidades com melhor IDH, o que indica a prevalência dos fatores sociais na inclusão digital. Outrossim, em cidades afastadas, a oferta de certas ferramentas como a instação de redes wi-fi ou cabeamento de fibra ótica é menor, o que possibilita que preços maiores sejam oferecidos sem concorrência, de acordo com a lei da oferta e procura descrita por Adam Smith. Por conseguinte, sem os canais necessários à digitalização, a população permanece excluída da isonomia que deveria ser oferecida aos cidadãos.

Dado o exposto, portanto, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com o MEC, ofereça cursos gratuitos de alfabetização tecnológica em escolas localizadas em regiões de menor inclusão digital, por meio de profissionais recrutados por ONG’s parceiras. Além disso, cabe ao Ministério da Economia garantir incentivos financeiros à empresas de tecnologia que ofereçam seus serviços em cidades periféricas, e assim, nenhum cidadão será menos igual que o outro.