Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 13/01/2021
O PIX, anunciado e amplamente divulgado pelo governo brasileiro no segundo semestre de 2020, configura-se como uma nova forma de realizar transições bancárias mediante aparelhos celures com acesso à internet. Apesar do ideal revolucionário apresentado, infelizmente, o PIX, assim como outras aplicações digitais, reforça um abismo social entre quem possui ou não os meios necessários para gozar da era digital. Nesse eixo, deve-se analisar como a exclusão instrumental e o analfabetismo digital influenciam no agrave dos desafios para a efetivação da inclusão digital.
Em primeira análise, deve-se pontuar a exclusão instrumental. Com efeito, a ONU assegura o acesso à internet como direito humano do século XXI, sendo a ausência desse um obstáculo para o gozo da cidadania. Nesse viés, ainda que políticas públicas, como o Navega Pará que disponibiliza internet em locais públicos pelo estado, tenham sido executadas, não são suficientes para oferecer a inclusão tecnológica à população, negando a cidadania plena conforme a ONU, haja vista os escassos polos de inserção e a precariedade para a utilização de aparelhos, por exemplo, celurares e computadores, que conectam-se à internet devido, principalmente, ao alto custo de aquisição e a indisponibilização pública desses. Visto isso, faz-se imprescíndível ao Estado tornar as medidas públicas eficientes.
Além disso, cabe mencionar o analfabetismo digital. De acordo, o célebre filósofo Píerre Levy afirma que toda tecnologia cria seus excluídos. Dessa forma, a exclusão cognitiva, presente em virtude da falta de instrução sobre a aplicação das ferramentas tecnológias, evidencia o pensamento de Levy, tendo em vista que o analfabetismo digital impossibilita o uso de recursos comunicativos e institucionais, ratificando a desigualdade social. Prova disso, foi exibida durante a pandemia do corona vírus, na qual, a fim de reduzir aglomerações, o Governo distribuiu o auxílio emergencial em poupanças digitais e, como resultado da escassa educação digital, diversos cidadãos mostraram-se desnorteados, fazendo-se necessário recorrem às agências dos bancos. Nesse sentido, faz-se essencial instruir a população.
Infere-se, portanto, a necessidade em tornar a inclusão digital efetiva. Logo, é dever do Estado, na figura dos governos estaduais e municipais, com o fito de proporcionar uma cidadania plena aos cidadãos, garantir acesso aos recursos digitais mediante a adequação de medidas públicas existentes - por exemplo, assegurando internet em mais lugares públicos e aparelhos que dêem acesso a essa de forma pública. Ademais, cabe às influenciadoras de massa, mídia e escola em parceria, proporcionar a instrução sobre o emprego das ferramentas tecnológicas por meio de propagandas educativas, como comercias que ensinem como justificar o voto on-line . Dessa maneira, a exclusão digital será mitigada e serviços como o PIX terão maior abrangência e satisfarão maior parcela da sociedade brasileira.