Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 14/01/2021
Na série estadunidense “Black Mirror”, é contada a história de uma sociedade utópica controlada pela tecnologia, mostrando uma dinâmica urbana completamente diferente caracterizada pela exclusão dos cidadãos desconectados. Nesse sentido, é mister a discussão sobre a inclusão digital no Brasil e também os fatores que emperram o acesso de grande parte do povo. Desse modo, a desigualdade social, bem como o desconhecimento das ferramentas eletrônicas modernas entre muitos indivíduos figuram como alguns entraves para a conexão da esfera social brasileira.
Primeiramente, é notório, ressaltar, que a alta taxa de pobreza no Brasil age diretamente contra a disseminação do acesso digital a grande parcela da população, dessa maneira, quando analisada a desigualdade social brasileira, frente aos altos preços dos insumos tecnológicos, vê-se um grande fator corroborante ao óbice. Nesse prisma, é evidente que milhões de brasileiros não conseguem adentrar essa “bolha tecnológica”, uma vez que precisam escolher entre sua subsistência ou possuir aparelhos digitais, prova disso é que segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), apenas 51,3% da sociedade possui acesso a bens tecnológicos. Ademais, impossibilitadas pela economia de adquirirem meios de conexão, essas pessoas são postas à margem do descaso, visto que, a sociedade contemporânea, cada vez mais acelerada e sintética as exclui da nova dinâmica social.
Outrossim, é valioso, pontuar que além das desigualdades que afligem essas pessoas, outro grande problema se apresenta um desafio à democratização do acesso digital. Dessa forma, convém uma abordagem à cerca do analfabetismo digital, dado que desconhecendo meios de utilização da tecnologia, muitos cidadãos ficam impossibilitados de acompanhar a evolução do âmbito social. Por conseguinte, parafraseando A. Schopenhauer, o conhecimento de um indivíduo sobre determinado assunto, delimita o seu entendimento a respeito dele. Nesse contexto, uma sociedade cada vez mais automatizada, rompe com as formas tradicionais de convívio no espaço urbano, por exemplo, hoje, aplicativos são capazes de substituir a tradicional ida ao banco e, até mesmo, a necessidade de ir à lojas realizar compras, tudo pode ser feito em uma tela, deixando o mundo “ao alcance dos olhos”.
Infere-se, em síntese, que muitas são as dificuldades impostas para a inclusão digital no Brasil, tal que urgem medidas para sua garantia. Consoante a isso, cabe ao governo, em conjunto com o MEC (Ministério da Educação e Cultura), a criação de um fundo social que vise utilizar como pilares a promoção de palestras com o intuito de ensinar o povo como utilizar a tecnologia, somadas a liberação de isenção fiscal para certos produtos eletrônicos, buscando por meio do barateio dos seus custos democratizar seu acesso. Somente assim, futuros como os de Black Mirror, serão inclusivos a todos.