Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 24/02/2021

A série televisiva da Netflix “Black Mirror ” narra um futuro distópico, o qual todas as esferas sociais dependem do acesso às tecnologias, figurando-se como um meio indispensável à sociedade. Não obstante, fora da ficção, tal obra alude o cenário brasileiro, uma vez que tais meios acarretam nos desafios para garantir inclusão digital. Posto isso, convém analisar acerca dos efeitos da problemática, os quais estão relacionados à ingerência governamental no processo de democratização e ao analfabetismo digital.

Primeiramente, é fulcral ressaltar que a indiferença por parte do Estado diante desse imbróglio é um fator que corrobora na exclusão das camadas mais pobres da população dessa esfera. Sob esse viés, Pierre Lévy, ilustre filósofo contemporâneo, afirma que a toda tecnologia cria excluídos, aprofundando as desigualdades sociais. Nessa perspectiva, tal pensamento perpetua na sociedade, uma vez que as desigualdades sociais, presentes sobretudo na região Nordeste, inviabiliza o processo de inclusão digital, de modo que há um decréssimo no IDH- Índice de Desenvolvimento Humano- daquela região, perpetuando um cenário de miséria.

Ademais, é imperioso destacar o analfabetismo digital, majoritariamente na terceira idade, como responsável pelo decrescimento da digitalização social. Dessa maneira, o baixo incentivo à aprendizagem tecnológica do país, figura um papel crucial na dinâmica mundial. Isso porque, segundo o jornal Terra, o Brasil ocupa a posição 72º no ranking global da inclusão digital, de modo que há um baixo incentivo ao uso dessas tecnologias, bem como uma carência na distribuição de profissionais do ensino digital, perpetuando tal desigualdade na sociedade.

Destarte, é mister a implantação de uma medida a qual vise mitigar os desafios da inclusão digital. Portanto, o Ministério da Tecnologia, responsável pela garantia do acesso universal aos meios digitais, deve promover a distribuição nos municípios de institutos de tecnologia, os quais possuam professores e computadores coletivos. Para isso, essa ação deverá ser efetuada por meio de investimentos governamentais destinados à projetos de integralização social dos indivíduos, a fim de inserir todos os grupos sociais nessa esfera. Espera-se que tal medida promova a democratização do acesso às mídias e que o futuro abordado na série seja efetivado na sociedade.