Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 12/08/2021
A Revolução Técnico-Científica , ocorrida na década de 70, trouxe consigo inovações em vários campos, sobretudo no tecnológico, o que interligou as várias partes do planeta. Contudo, no Brasil hodierno, mesmo com tantos avanços, milhares de pessoas permanecem alheias às constantes atualizações informacionais do mundo conectado diante da significativa dificuldade em democratizar o acesso às mídias digitais. Essa terrível situação ocorre tanto pela falta de condições em adquirir tecnologias, que são caras; quanto pelo isolamento geográfico, que impossibilita a chegada das inovações; e prejudica o desenvolvimento cultural da nação.
Segundo o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, o bem é aquele que atinge o máximo de pessoas possível. Porém, as inovações tecnológicas beneficiam apenas um seleto grupo social com condições financeiras para adquirir produtos com alto valor agregado, como smartphones, computadores, e mesmo pagar planos de internet; enquanto que a maioria da população, que precisa dividir seu pequeno salário com inúmeras obrigações necessárias, a exemplo da alimentação, fica totalmente excluída do cenário tecnológico-informacional. Desse modo, a falta de condições financeiras prejudica a expansão do repertório cultural desses cidadãos, presos apenas à alienação televisiva, que os impede de ler e formar sua própria opinião crítica acerca dos fatos.
Ademais, o livro “Vidas Secas” ,do modernista Graciliano Ramos, retrata o cotidiano da família de Fabiano, que vive isolada no sertão nordestino, sem nenhuma notícia do que acontece no mundo. Nesse contexto, milhares de pessoas, também vivem em sua própria bolha, sem informação alguma acerca do mundo exterior globalizado, já que vivem em regiões de difícil acesso, onde muitas vezes não há sequer energia elétrica, o que impossibilita a ida de internet, ou de telefone, por exemplo.
Desse modo, a tecnologia não pode ser democratizada, e fica restrita à populacao residente em áreas urbanizadas, enquanto os cidadãos de áreas rurais não usufruem dos benefícios trazidos pelos avanços tecnológicos, como a facilidade no acesso às informações. Destarte, é necessário que o Estado invista em projetos sociais que possibilitem a acessibilidade de tecnologias às pessoas mais pobres, por meio do envio de verbas às prefeituras, que devem instalar nas praças redes Wifi, além de distribuir celulares, sobretudo aos jovens carentes, a fim de permitir que todos usufruam dos benefícios tecnológicos, permitindo, assim sua democratização. Cabe ainda a essa instituição de poder levar internet às zonas rurais mais longínquas, a fim de fazer valer a pena os esforços da revolução tecno-científica.