Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 14/08/2021
Em um contexto de fortes transformações sociais, o filósofo Pierre Lévy alega que toda tecnologia tem seus excluídos. Dentro dessa lógica, o paradoxal advento dos novos meios digitais participa da globalização atual, conectando o mundo, e, ao mesmo tempo, marginaliza a parcela da população que não possui acesso à esses produtos. Com base nisso, fica evidente a necessidade da inclusão digital no Brasil e da superação de seus desafios, em uma contínua luta por equidade. Dentre as barreiras impostas à prática inclusiva, a forte desigualdade econômica na conjuntura capitalista vigente e a falta de instrução em relação ao pleno manuseio das tecnologias são as mais evidentes.
Em uma primeira perspectiva, o agravamento das disparidades socioeconômicas atua diretamente na exclusão digital da população. Isso porque, segundo o geógrafo Milton Santos, na obra ‘‘Por Uma Outra Globalização’’, o fato de o modelo de sociedade contemporâneo, baseado na busca incessante por capital, aprofundar as desigualdades gera uma massa de miseráveis segregados do meio digital e, dessa forma, excluídos de um importante mecanismo de informação, de educação, de trabalho e de garantia da cidadania. Como prova dessa segregação, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que, em 2020, 30% da população nacional tinha renda de até um quarto do salário mínimo, capital insuficiente para a aquisição de rede de internet ao domicílio dessas famílias e de aparelhos eletrônicos. Fica nítido, então, que as disparidades econômicas são barreiras à inclusão.
Para além dessa questão, a falta de habilidade no uso das tecnologias também contribui para a exclusão digital, posto que a população apartada pode desinteressar-se pelo manuseio desses meios. Nesse prisma, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostra que, em 2018, 40% dos brasileiros que não tinham acesso à informática informaram que o motivo dessa exclusão era a falta de destreza na utilização desses produtos. Esse processo acontece em decorrência de as transformações das formas de comunicação não atingirem todas as pessoas, principalmente devido à desigualdade presente na sociedade. Assim, além da melhora econômica, é necessária a instrução dos usuários.
Portanto, são urgentes mecanismos que promovam a inclusão digital. Para tanto, o Ministério das Comunicações deverá facilitar o acesso às tecnologias. Isso será feito por meio do fornecimento de rede de internet gratuita às famílias carentes, mediante comprovante de renda, e da diminuição dos impostos sobre aparelhos eletrônicos, em vista da alta carga tributária existente, com a finalidade de inserir toda a população aos meios digitais e de lutar pela equidade. Além disso, a disponibilização livre de aulas de informática será de suma importância para um ambiente democrático. Logo, a exclusão digital, proposta por Lévy, somente será superada com a mitigação das desigualdades.