Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 02/11/2021

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), maior vestibular do país, possui inscrições exclusivamente digitais. De fato, variados setores adotaram esse meio, por partir do pressuposto que todos têm igualdade de acesso à rede. Nesse sentido, debater acerca da inclusão digital é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva é apropriado alegar que a democratização da internet não é uma realidade no Brasil e é de responsabilidade do Estado reparar essa conjuntura.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que cerca de 70% da população brasileira têm acesso à internet, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nessa lógica, é válido afirmar o alto percentual cria a falsa impressão de inclusão digital ao ignorar a informação subtendida de que também há 60 milhões de brasileiros sem esse acesso. Segundo o escritor Paulo Coelho, o caminho digital é sem volta. Logo, presume-se que a tendência é que cada vez mais as atividades cotidianas migrem para a esfera virtual e àqueles sem internet fiquem ainda mais excluídos, impossibilitados de fazer o básico como a inscrição no ENEM.

Ademais, visto que não há como retroagir à nova realidade, o estabelecimento de uma inclusão digital deve ser meta primordial do Estado. Dentre esses efeitos, em 2015, o Brasil se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas, nos quais um dos propósitos é garantir o bem-estar de todos. Por certo, uma vez que o acesso à internet tornou-se essencial para o cidadão realizar diversas tarefas, promover a democratização da rede contribuirá para o cumprimento do acordo internacional. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que coloquem em prática essa meta.

Torna-se evidente, portanto, que o Brasil precisa integrar as 60 milhões de pessoas ao ambiente virtual. Assim, cabe ao Ministério da Tecnologia, com ações das prefeituras, criar um projeto, com foco em colocar internet em espaços públicos muito frequentados, como praças, terminais e escolas, por meio de parceria com as grandes operadoras de telecomunicações brasileiras, a fim de garantir a democratização do acesso à rede. Além disso, esse projeto deve oferecer mais benefícios à sociedade, por intermédio da criação de lan houses públicas nos bairros mais carentes, com intuito de que as pessoas não deixem de realizar atividades básicas por falta de internet. Enfim, a partir dessas ações a inclusão digital será uma meta posta em prática.