Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 07/09/2021

Segundo Simone de Beauvoir, proeminente filósofa francesa, o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Sob a óptica da filósofa, mais preocupante que os enormes desafios para a inclusão tecnológica no Brasil contemporâneo, é que a população, em regra, se mantém na inércia para a resolução dessa problemática. Com efeito, é fato que tal quadro advém de uma negligência midiática e governamental para superar um dos maiores obstáculos do século XXI: a inclusão digital.

Diante desse cenário, cabe destacar que o complexo midiático representa o principal motor capaz de realizar mudanças significativas na sociedade. Nesse sentido, em seu livro “Simulacro e Simulação”, o sociólogo Jean Baudrillard defende que as pessoas refletem aquilo que é divulgado na mídia. Nessa lógica, é evidente que uma imprensa que não se preocupa com a inserção de toda a população nos meios digitais ratifica uma postura que corrobora para a exclusão de parte da coletividade da Era Informacional, o que caracteriza grave transtorno para a inclusão tecnológica. Assim, enquanto o comportamento da comunicação social for estagnado em relação à integração digital de toda a população, a inclusão digital de pessoas sem recursos financeiros e educacionais será a exceção.

Ademais, é válido ressaltar que o descaso dos governantes para promoção da inclusão digital no país reforça essa conjuntura. Nessa perspectiva, de acordo com a Constituição federal - documento normativo de maior hierarquia nacional -, todo cidadão tem direito de acesso ao ciberespaço. Entretanto, haja vista os desafios enfrentados para incluir toda a coletividade nos meios digitais, é notório que a Carta Magna não está sendo efetiva. Isso acontece, principalmente, por conta da infraestrutura precária de ‘internet’, que não abrange todo o território continental pertencente ao país, o que, por conseguinte, desconsidera a agregação de substancial parte dos cidadãos. Dessa forma, é premente que providências sejam tomadas para alterar esse cenário infame.

Urge, portanto, que os meios de comunicação conscientizem as pessoas de que todos têm o direito constitucional de estar incluso no mundo digital, isso deve ser feito por intermédio de publicações nas redes sociais, de maneira a incitar a responsabilidade que os políticos têm para a resolução do problema. Tal ação tem a finalidade de romper com a inércia vigente na coletividade e alinhar o objetivo dos cidadãos para com a prosperidade nacional, que só pode ser alcançada com a integração das pessoas no mundo tecnológico. Outrossim, é imperioso que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações promova, por meio de verbas públicas, o desenvolvimento da infraestrutura da ‘internet’, de modo que toda a extensão do país seja englobada, com o intuito de superar o desafio da inclusão digital no Brasil. Somente assim a frase de Simone de Beauvoir não será mais aplicável à nação brasileira.