Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 29/10/2021
A obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, aponta ao leitor a realidade de uma família que vive em condição de miserabilidade e mostra como o acesso a itens essenciais é uma condição distante de sua realidade. Apesar de ter sido escrito no último século, o cotidiano de Carolina é situação recorrente na sociedade atual, no qual o pleno acesso a itens tecnológicos da contemporaneidade, é fato incomum. Isso ocorre devido intenso quadro de desigualdade social e ineficiência governamental. Dessa forma, é essencial que essa chaga social seja resolvida.
Primeiramente, a desigualdade de renda é o principal fator que impede o acesso regular a itens tecnológicos. Nesse sentido, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra “Raízes do Brasil”, evidencia que a segregação social é uma das principais características - e a mais conflitante - da sociedade brasileira. Sob essa ótica, nota-se que na sociedade brasileira atual, há diferenças significativas no grau de acesso a serviços, o que gera um “abismo” de desigualdade social e condiciona melhores condições de acesso a grupos favorecidos economicamente. Logo, é factual que indivíduos em maior condição de vulnerabilidade, gerada pela ausência de renda, estarão fadados a serem excluídos digitalmente.
Ademais, a ausência de responsabilidade em pautas que geram a igualdade entre os indivíduos é a causa da desigualdade de acesso ao meio digital. Nesse contexto, o sociólogo Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, destaca a insana procura da sociedade do século XXI em obter produtividade em quaisquer meios em detrimento das relações sociais. A partir dessa análise, infere-se que a sociedade pós-moderna encontra-se desinteressada com as pautas sociais, pois, estas requerem gastos na efetivação de medidas. Assim, revela-se a preocupação apenas com o lucro, o que reflete na ausência de medidas garantidoras de igualdade.
Portanto, visto os desafios para inclusão digital, são necessárias medidas para combatê-las. Diante disso, o Ministério do Trabalho, órgão responsável pela política e pelas diretrizes da geração de empregos, precisa aumentar a renda das pessoas em condição de vulnerabilidade social por meio de ofertas de emprego, com o objetivo de aumentar o poder de compra da população. Além dessa medida, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação precisa garantir a compra de aparelhos e contratação de serviços de internet por meio de subsídios à população de baixa renda, com o objetivo de diminuir o número de indivíduos excluídos digitalmente. Mediante a essas ações concretas, a realidade denunciada por Carolina tão somente ficará em seu livro quarto de despejo.