Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 19/11/2021
O advento da 4º Revolução Industrial impactou as estruturas da sociedade, implementou a ditadura da tecnologia e apresentou um novo conceito de desigualdade: a exclusão digital. Nesse contexto, na contemporaneidade, as inovações do mundo técnico-informacional são imperativas, principalmente para o estabelecimento de comunicação entre os indivíduos. Dessa forma, é mister salientar os elementos que atuam como impeditivos para a manutenção de uma igualdade digital, com destaque para a discrepância social e para a inobservância do Estado.
Primeiramente, cabe analisar o papel do Poder Executivo no que tange à temática. Nesse sentido, é de suma importância enfatizar o passado histórico do Brasil, marcado pela exploração lusitana, que fez do território nacional uma colônia de exploração e, não somente objetivou a subtração das riquezas naturais, mas também contribuiu para a formação de uma elite agrária, que foi beneficiada por uma crescente concentração de renda com o passar dos séculos. Esse fato pode ser comprovado pelos indicativos do Coeficiente de Gini, que analisa as desigualdades sociais entre os países do mundo, e coloca o Brasil na 8º posição no que concerne a pior distribuição de renda. Dessa maneira, é notório que as metas de equiparação digital são praticamente intangíveis, visto que os itens, como celulares e computadores, possuem alto valor agregado, e, assim, a tecnologia não é acessível para todos os setores do corpo social.
Além disso, faz-se necessário dissertar sobre a inoperância estatal no tocante à problemática. Segundo a Constituição Federal de 1988, um de seus objetivos fundamentais é o combate às desigualdades sociais. Sob essa óptica, é perceptível que o Poder Estatal não cumpre com os preceitos cunhados na própria Carta Magna, o que pode ser explicitado pela ausência de políticas públicas que contribuam para atenuar a nova forma de desigualdade que impera no século XXI, a digital. Em congruência com esse ponto, é de importância ímpar que o governo federal rompa com a inércia que desfruta ao não se empenhar para mitigar com diligência as mazelas digitais, que intensificam cada vez mais as discrepâncias sociais, fato que pode ser corroborado pela pandemia causada pelo SARS-CoV-2, que dividiu a sociedade em grupos que poderiam arcar com o home-office e realizar a quarentena, e outros que precisaram optar por arriscar suas vidas para se sustentarem.
Por fim, é evidente que o tema é desafiador para o governo federal. Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania – órgão responsável por políticas de desenvolvimento social – implementar campanhas que visem a igualdade digital, por meio do fomento do Estado, com o objetivo de aumentar a inclusão digital no Brasil. Destarte, haverá uma democratização digital nas evoluções industriais do futuro.