Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 08/11/2022
Raimundo Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional, mas também para a nação que, hoje, enfrenta diversos estorvos. Entre eles, a precariedade da inclusão digital no Brasil contemporâneo representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que tal postura gera a desordem e o retrocesso do desenvolvimento social. Percebe-se, então, a necessidade de mudar esse panorama, calcado na inoperância estatal e que tem por consequência a desigualdade entre as classes.
De início, há de se notar a importância desse tema. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, enquanto 82,6% da população de São Caetano do Sul possui acesso à tecnologia, em Fernando Falcão apenas 3,7% dispõe do mesmo. Nota-se, desse modo, a disparidade. Isso ocorre porque, de acordo com Rothbard, uma parcela dos representantes governamentais, ao se orientar por um viés individualista e visar a um retorno imediato de capital político, negligencia a conservação de direitos sociais. Sendo assim, a falta de políticas públicas eficazes acerca da inclusão corrobora, decerto, a perpetuação da problemática.
Por conseguinte, a inércia do governo acarreta inúmeros problemas, como a ampliação da discrepância. A pandemia de COVID-19, por exemplo, forçou a migração do mundo presencial para o digital. No entanto, aqueles sem acesso à internet se prejudicaram, visto que não conseguiram acompanhar a transição. Observa-se, destarte, uma oposição à Carta Magna, tendo em vista que o documento assegura igualdade entre os cidadãos. Outrossim, esse cenário contribui com uma ameaça democrática, pois, em conformidade com Milton Santos, a democracia só é efetiva a medida em que atinge a totalidade do corpo social.
Portanto, medidas são fundamentais para combater o impasse. Com o intuito de diminuir o desequilíbrio entre as camadas sociais, cabe ao Estado, enquanto mantenedor da ordem, fomentar a inclusão digital por meio da construção de centros tecnológicos nas áreas carentes. Ademais, aulas de informática gratuitas devem ser disponibilizadas. Só assim os brasileiros verão o progresso referido na bandeira como realidade.