Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 19/04/2025
No romance “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, a sociedade é organizada por meio da tecnologia, mas a desigualdade entre grupos sociais ainda persiste. Fora da ficção, o Brasil contemporâneo enfrenta um paradoxo semelhante. Nesse contexto, a inclusão digital configura-se como um desafio urgente, pois está diretamente ligada ao exercício da cidadania e à redução das desigualdades sociais.
Em primeiro lugar, o acesso limitado à internet e a dispositivos tecnológicos impede que muitos indivíduos usufruam de direitos básicos, como educação de qualidade, qualificação profissional e acesso à informação. Durante a pandemia da Covid-19, essa exclusão tornou-se ainda mais evidente, especialmente entre estudantes de regiões periféricas e rurais, que não conseguiram acompanhar o ensino remoto. Segundo dados do IBGE, em 2023, cerca de 20% dos domicílios brasileiros ainda não possuíam acesso à internet, o que demonstra a persistência de um abismo digital que reforça as desigualdades históricas do país.
Além disso, a inclusão digital vai além do acesso à internet: é preciso garantir também o letramento digital. Muitos indivíduos, mesmo tendo dispositivos conectados, não possuem habilidades para navegar com segurança e senso crítico no ambiente virtual. Isso é particularmente grave no contexto educacional, em que estudantes de baixa renda têm mais dificuldade de acompanhar aulas remotas ou utilizar plataformas digitais de aprendizagem. Desse modo, sem políticas públicas voltadas à capacitação digital, o uso da tecnologia acaba sendo excludente, ao invés de inclusivo.