Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 15/04/2025

No romance “1984”, de George Orwell, a manipulação da informação e o acesso restrito ao conhecimento são estratégias para manter a dominação sobre a população. Embora fictícia, essa realidade distópica reflete desafios enfrentados no Brasil contemporâneo, onde a exclusão digital compromete o pleno exercício da cidadania. Em um mundo cada vez mais conectado, garantir a inclusão digital tornou-se uma meta urgente para promover a equidade social e o desenvolvimento sustentável.

De acordo com dados do IBGE, cerca de 20 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet. Essa lacuna revela profundas desigualdades regionais, socioeconômicas e educacionais, que impedem parte significativa da população de usufruir dos benefícios da tecnologia. O acesso à informação, ao ensino remoto, a serviços públicos digitais e a oportunidades no mercado de trabalho depende, hoje, da conectividade e da alfabetização digital.

Além disso, o filósofo Pierre Lévy destaca que a cibercultura transforma a maneira como a sociedade aprende, interage e evolui. Nesse sentido, a exclusão digital não se limita à ausência de aparelhos ou conexão, mas também à incapacidade de utilizar as ferramentas digitais de forma crítica e produtiva. Tal cenário amplia o fosso social e impede o país de avançar de maneira igualitária.

Dessa forma, é papel do Estado investir em infraestrutura tecnológica, ampliar o acesso à internet de qualidade em áreas remotas e promover a educação digital desde o ensino básico. Parcerias com a iniciativa privada também podem acelerar esse processo, por meio de projetos sociais e capacitações. Só assim será possível transformar a inclusão digital de uma meta em realidade concreta, garantindo, de fato, uma democracia plena.