Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 19/04/2025
A inclusão digital configura-se como uma das metas mais urgentes para o Brasil contemporâneo, representando a ponte entre o acesso à informação e o exercício pleno da cidadania. Segundo Pierre Lévy, filósofo francês, a tecnologia digital tem o poder de ampliar o conhecimento e promover a participação ativa na sociedade. Nesse contexto, em um mundo cada vez mais conectado, o domínio das tecnologias digitais deixou de ser um privilégio e passou a ser uma necessidade básica para a educação, o mercado de trabalho e o acesso a direitos fundamentais.
Entretanto, o país ainda enfrenta grandes desigualdades no acesso à internet e aos dispositivos tecnológicos. Regiões mais pobres, especialmente nas áreas rurais e periferias urbanas, convivem com a falta de infraestrutura e investimentos, o que agrava a exclusão social. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2023, cerca de 20% dos domicílios brasileiros ainda não possuem acesso à internet, índice que é ainda mais elevado nas regiões Norte e Nordeste. Assim, a falta de acesso digital não apenas isola indivíduos, mas perpetua ciclos de pobreza e marginalização.
Ademais, outro fator que contribui para a exclusão digital no Brasil é a falta de capacitação adequada para o uso das tecnologias. Mesmo entre aqueles que possuem acesso à internet, muitos não dominam plenamente as ferramentas digitais, o que limita sua inserção em espaços educacionais e profissionais. Sendo especialmente prejudicial para jovens em idade escolar e adultos que buscam recolocação no mercado de trabalho. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), grande parte da população conectada utiliza a internet apenas de forma superficial, sem desenvolver habilidades digitais essenciais como o uso de plataformas de aprendizado ou recursos de cidadania digital.
Portanto, é imprescindível que o Estado atue de forma efetiva para promover a inclusão digital. Sendo não apenas a ampliação do acesso à internet e à infraestrutura tecnológica, especialmente nas regiões mais vulneráveis, mas a implementação de programas educacionais voltados à formação digital da população. Parcerias entre governo, iniciativa privada e instituições de ensino são caminhos viáveis para democratizar o uso das tecnologias e garantir igualdade.