Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo
Enviada em 19/04/2025
O sociólogo Manuel Castells afirma que vivemos em uma “sociedade em rede”, na qual estar conectado é fundamental para participar plenamente da vida em comunidade. No entanto, no Brasil contemporâneo, uma parcela significativa da população ainda permanece à margem do universo digital, sem acesso à internet ou às ferramentas tecnológicas. Essa exclusão evidencia que, embora a inclusão digital seja um objetivo relevante para o país, ela ainda enfrenta entraves expressivos, como a precariedade estrutural e a ausência de iniciativas voltadas ao uso consciente da tecnologia.
Sob esse prisma, a falta de infraestrutura tecnológica ainda representa um dos principais entraves à inclusão digital no Brasil. Em muitas regiões, especialmente nas zonas rurais e periferias urbanas, a conectividade de qualidade é limitada ou inexistente. Segundo o Unicef, mais de 5 milhões de estudantes ficaram sem aulas durante a pandemia da Covid-19 por não conseguirem acessar as plataformas virtuais, o que evidencia como a desigualdade digital compromete direitos básicos, como o da educação.
Ademais, a exclusão digital no país também é agravada pela carência de letramento tecnológico entre os cidadãos. Mesmo entre aqueles que possuem acesso à internet, muitos não dominam as ferramentas disponíveis para uso produtivo e consciente. De acordo com dados do Cetic, aproximadamente 38% dos usuários brasileiros não sabem enviar e-mails ou utilizar plataformas de videoconferência. Essa limitação demonstra que a inclusão digital vai além da simples conectividade: ela exige o desenvolvimento de competências técnicas essenciais à participação cidadã plena.
Diante disso, torna-se essencial que o Ministério das Comunicações, em parceria com o Ministério da Educação, amplie a infraestrutura digital nas regiões vulneráveis e implante cursos de letramento digital em escolas públicas, por meio de investimentos federais e parcerias com profissionais da área. Com isso, será possível garantir o acesso pleno e consciente à tecnologia, promovendo a cidadania digital e diminuindo as desigualdades sociais.