Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 22/04/2025

A revolução tecnológica redefine a sociedade, mas milhões de brasileiros permanecem excluídos digitalmente, aprofundando desigualdades. A inclusão digital, mais que acesso à internet, é um imperativo ético para assegurar direitos e participação democrática, combatendo a marginalização histórica.

Segundo o IBGE (2022), 20% da população não usa a internet, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Nas periferias, 35% dos estudantes não têm computador (TIC Educação, 2023), limitando educação e oportunidades. Além da infraestrutura precária, a falta de alfabetização digital expõe idosos e vulneráveis a desinformação, como visto na pandemia. Programas como Internet Brasil avançam, mas são insuficientes sem políticas integradas.

A solução exige sinergia entre Estado, empresas e sociedade. O governo deve expandir o 5G rural e regulamentar o Marco Civil da Internet, garantindo neutralidade. Empresas de telecomunicação, beneficiadas pelo FUST, precisam priorizar tarifas sociais e cobertura em áreas negligenciadas. Na educação, a inclusão de disciplinas tecnológicas, aliada à formação docente (como propõe Paulo Freire), é crucial para uso crítico das ferramentas digitais.

Propõe-se o Sistema Único de Digitalização (SUD), gerido por ANATEL e comunidades, com três eixos: 1) Wi-Fi gratuito em praças e escolas; 2) oficinas de alfabetização digital em bibliotecas; 3) subsídios para dispositivos acessíveis. Inspirado no modelo sul-coreano, o SUD transformaria a tecnologia em direito fundamental, como defendeu Milton Santos. Assim, o Brasil romperia com o apartheid digital, construindo uma sociedade onde a conexão é alicerce da equidade.