Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 19/04/2025

O conceito aristotélico de justiça considera a virtude como base da ética, essencial à paz social. Entretanto, ao analisar a inclusão digital no Brasil, percebe-se que esse ideal está distante da realidade, devido à ineficiência das políticas de conectividade e às desigualdades educacionais e econômicas. Como resultado, milhões de brasileiros permanecem excluídos do acesso pleno às tecnologias, inviabilizando a harmonia defendida por Aristóteles.

Primordialmente, destaca-se a má distribuição de infraestrutura digital como fator que sustenta o problema. A pesquisa TIC Domicílios (2023) revela que cerca de 21% das residências brasileiras ainda não têm acesso à internet, especialmente em zonas rurais e periferias. Esse cenário evidencia a negligência histórica do Estado em garantir uma estrutura básica de conectividade, comprometendo o exercício da cidadania e o acesso à informação e à educação. De acordo com o estadista alemão Johann Goethe, a maior necessidade de um Estado é ter governantes ativos. No entanto, diante da passividade estatal em expandir o acesso à rede, observa-se o descaso em assegurar direitos fundamentais no século XXI.

Ademais, a falta de alfabetização digital é outro fator que contribui para a persistência do problema. Um relatório da OCDE (2022) aponta que estudantes brasileiros estão entre os que menos dominam competências digitais, prejudicando seu desempenho acadêmico e reduzindo suas oportunidades de inserção no mercado de trabalho. A socióloga Helena Hirata defende que a tecnologia deve emancipar, não excluir, mas a ausência de alfabetização digital reforça desigualdades, tornando a inclusão um privilégio restrito.

Diante disso, é urgente reestruturar as bases da inclusão digital no país. O Governo Federal deve implementar uma política de universalização do acesso, por meio de parcerias com empresas de tecnologia e ONGs, garantindo a expansão das redes de internet e a formação digital em comunidades carentes. De mesmo modo, é necessário criar um programa de doação de equipamentos para estudantes de escolas públicas e trabalhadores informais, proporcionando iguais oportunidades de crescimento. Com essas medidas, será possível promover uma sociedade mais justa, acessível e alinhada à paz social, como defendido por Aristóteles