Inclusão digital: uma meta do Brasil contemporâneo

Enviada em 18/04/2025

No romance Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, uma epidemia repentina de cegueira branca atinge toda uma cidade, mostrando como a falta de visão, seja literal ou simbólica, pode levar à exclusão e à perda da dignidade humana. De maneira semelhante, no Brasil, a exclusão digital se apresenta como uma forma de cegueira moderna, impedindo que uma parte significativa da população tenha acesso às ferramentas tecnológicas que são essenciais para a vida social, econômica e educacional. Apesar dos avanços na tecnologia, a inclusão digital é um objetivo que por desigualdades estruturais não foi completamente alcançado.

De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2023, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, cerca de 20 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet. A maioria deles vive em áreas rurais ou regiões periféricas. Essa situação revela a desigualdade na infraestrutura digital do país e dificulta o acesso a direitos básicos, como uma educação de qualidade, oportunidades de trabalho remoto e serviços de saúde digitalizados. A pandemia da Covid-19 escancarou essa realidade, já que milhões de estudantes foram afetados pela falta de conexão e pela ausência de equipamentos adequados para participar das aulas online.

Além disso, a exclusão digital piora outras formas de marginalização social. Grupos que já enfrentam desafios, como idosos e pessoas com deficiência não lidam apenas com a dificuldade de acessar a tecnologia; eles também enfrentam obstáculos no que diz respeito ao letramento digital. Como destaca Pierre Lévy, um filósofo francês que estuda a cibercultura, o conhecimento digital vai além do simples uso técnico da tecnologia. Ele envolve a capacidade crítica de interagir com as informações disponíveis. Portanto, não é suficiente apenas conectar as pessoas à internet; é fundamental garantir que elas saibam usá-la.

Diante desse cenário, é essencial que o Estado brasileiro utilize do Ministério das Comunicações em parceria com empresas privadas de tecnologia, para ampliar o acesso à internet de qualidade nas áreas mais carentes, por meio de incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura, Paralelamente, o Ministério da Educação deve implementar programas de letramento digital nas escolas públicas.